Corpo Artificial: A.I. Inteligência Artificial
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18569043Resumo
Este trabalho deriva de reflexões obtidas ao decorrer do processo de doutoramento da autora, não sendo essencialmente o tema da sua pesquisa. A reflexão desta análise advém do seguinte problema: Como o corpo artificial representado no filme A.I. – Inteligência Artificial, reflete as lógicas contemporâneas do consumo, exclusão, afeto e desejo? A relevância do tema encontra-se na atualidade das discussões em torno da cibercultura, inteligências artificiais e das novas configurações de subjetividade, ou seja, os modos das pessoas se percebem e se relacionam consigo e com os outros. Objetiva-se analisar como a produção fílmica antecipa discussões sobre tecnologia, afetividade e corporeidade a partir dos padrões estéticos e da subjetividade. A metodologia consiste em uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo, fundamentada na análise fílmica. O procedimento analítico, assim, privilegiou a investigação das cores em diferentes espaços (floresta, Rouge City, Manhattan submersa), bem como a trajetória do personagem David e suas relações. O filme se passa em um futuro distópico de escassez ambiental, onde a reprodução humana é controlada e robôs suprem funções emocionais, afetivas e práticas. A relação entre corpos humanos e artificiais é marcada pela desigualdade, até mesmo entre os robôs. Os principais resultados indicam que a obra usa de estéticas cromáticas distintas para simbolizar processos de exclusão, desejo e mercantilização dos corpos. A floresta, marcada por tons marrons, traduz a melancolia dos corpos descartados (Farina, Perez & Bastos, 2006). Rouge City, iluminada por cores vibrantes, sugere a lógica do consumo e da hipersexualização dos corpos artificiais. Já Manhattan submersa, dominada pelo cinza, remete ao fim da civilização humana e à sobrevivência de uma memória tecnológica (Heller, 2012). Esses elementos revelam que o corpo é atravessado por dinâmicas sociais de padronização, exclusão e consumo. David é o primeiro robô-criança desenvolvido para amar incondicionalmente seus “pais” humanos. O vínculo afetivo criado com sua mãe, Mônica, desperta nele uma busca incessante por reconhecimento e pertencimento. Sua jornada é marcada pelo conto de Pinóquio: David acredita que só será amado de verdade caso se torne humano, ou seja, se percebe digno de amor apenas ao atingir o padrão humano de corporeidade e afetividade. Essa relação ecoa em nossa sociedade contemporânea, na qual muitas pessoas acreditam que só serão vistas e amadas quando atingirem determinado padrão de beleza idealizado pelas mídias e redes sociais. Outro momento importante é o encontro de David com seu criador, o professor Hobby. Este reduz David à condição de um protótipo bem-sucedido, ignorando a sua consciência e sofrimento. Essa cena nos faz questionar: O que define a humanidade? David possui sentimentos ou é apenas uma programação? Ao final, a trajetória de David revela que o amor, simultaneamente, legitima sua existência e o condena, pois sua subjetividade está condicionada a um ideal humano inalcançável. O filme, portanto, antecipa discussões atuais, revelando tanto as potencialidades quanto as contradições do corpo estético e tecnológico. Ademais, contribui para os estudos sobre cinema, corpo e cibercultura ao demonstrar como a obra articula imaginários estéticos que permanecem centrais nas disputas contemporâneas sobre subjetividade e tecnologia.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 2 - Corpo Estético e Tecnológico
Como Citar
Corpo Artificial: A.I. Inteligência Artificial. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18569043