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Psicanálise e transidentidades: quando o corpo inventa a própria escuta

2026-10-06

Chamada de trabalhos para o dossiê Psicanálise e transidentidades: quando o corpo inventa a própria escuta

As interseções entre psicanálise e transidentidades marcam a história da psicanálise, e podem nos oferecer caminhos interessantes. Desde críticas à epistemologia patriarcal e eurocentrada que é o berço da psicanálise, até críticas psicanalíticas ao regime cishetero-patriarcal e ao modelo diagnóstico psiquiátrico, nos encontramos em alguns impasses: Pode-se pensar em uma psicanálise não-cisnormativa? Em uma psicanálise que não reproduz a heteronorma?

 

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Edição Atual

v. 2 n. 1 (2026)
Capa Revista v.2 n.1 (2026)

Editorial — Número inaugural

Há gestos que não apenas iniciam: eles fundam. Este é o primeiro número regular da Revista Periphérica, periódico do CPAPEC — Coletivo de Pesquisa Ativista em Psicanálise, Educação e Cultura — e da Escola Psicanalítica da Escuta Periphérica (EPEP). Se os Anais que nos antecederam reuniram as vozes de um congresso, é aqui que a revista assume, em definitivo, sua forma e sua aposta: ser um lugar de escuta para o que insiste nas margens.

Periphérica é um nome e uma posição. Recusamos a ideia de que o pensamento nasça no centro e desça, traduzido, até as bordas. Apostamos no contrário: que é da periferia — dos corpos racializados, dos territórios precarizados, das existências que a norma teima em não ouvir — que emergem as perguntas mais decisivas para a psicanálise, a educação e a cultura de nosso tempo. Escutar a partir daí não é caridade epistêmica; é deslocar o próprio centro.

Por isso este periódico se quer plural em suas línguas (português, espanhol e inglês), aberto em seu acesso e rigoroso em sua avaliação por pares. Não publicamos para acumular prestígio, mas para sustentar um trabalho comum: o de inscrever, no campo público da ciência, uma escuta que não recue diante da dor histórica nem a reduza a diagnóstico.

Que este número inaugural seja lido como aquilo que de fato é — um marco. O começo deliberado de um grande e longo trabalho, feito com muitos, para muitos, a partir das margens que sempre souberam, antes de nós, o que era preciso dizer.

A Comissão Editorial

Publicado: 2026-07-01
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