(Des)construção de debates de gênero e sexualidade na Graduação em Psicologia
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18569084Resumo
A construção de diálogos críticos e reflexivos constitui um elemento indispensável ao longo da formação em Psicologia, sobretudo quando envolve temáticas que atravessam raça, gênero, classe e sexualidade. Tais dimensões não apenas perpassam a teoria, mas também se manifestam de forma concreta na prática acadêmica e profissional. Nesse contexto, o presente trabalho busca problematizar o lugar das discussões sobre gênero e sexualidade na graduação em Psicologia, a partir de um relato de experiência vivenciado em um Centro Universitário localizado em Natal, Rio Grande do Norte. Orientadas pelos estudos de gênero e pela escuta psicanalítica, as autoras apresentam um relato de experiência referente à condução de grupos operativos, atividade prática realizada no 8º período da graduação, no âmbito da disciplina de Gênero e Sexualidade. Duas turmas foram contempladas pela intervenção, planejada e conduzida por discentes do mesmo período do curso. Inspiradas na metodologia de Pichon-Rivière, as estudantes propuseram momentos de debate sobre a constituição de gênero e suas implicações subjetivas e sociais, oferecendo um espaço de reflexão coletiva em sala de aula. A experiência evidenciou a potência dos grupos operativos como recurso pedagógico e formativo. Ainda que baseadas em um roteiro comum, as intervenções geraram repercussões singulares em cada turma, revelando tanto a diversidade de posicionamentos quanto a necessidade de espaços institucionais para o compartilhamento de vivências. O desejo de escrever sobre tais reverberações emerge da força desse encontro, em que a escuta se mostrou não apenas formativa, mas também mobilizadora. O referencial teórico que sustenta esta reflexão articula diferentes perspectivas críticas. A partir de Foucault (1975; 1979; 1999), discute-se a forma como discursos hegemônicos sobre gênero, sexualidade e normalidade funcionam como dispositivos de poder e de controle sobre os corpos e as produções subjetivas. Em diálogo com Butler (2018), destaca-se a crítica à matriz binária de gênero, profundamente enraizada na cultura ocidental e também presente na própria psicanálise, cuja tradição teórica é marcada por referências genitais e dicotômicas. Além disso, a análise das experiências foi conduzida com base na metodologia de práticas discursivas da Psicologia Social Construcionista proposta por Spink (2010), que permite compreender como discursos do cotidiano configuram sentidos e subjetividades. Os resultados apontam que os grupos operativos funcionaram como um dispositivo de escuta sensível, no qual os estudantes puderam compartilhar experiências e refletir criticamente sobre os atravessamentos de gênero e sexualidade em suas trajetórias. Tal vivência não apenas contribuiu para a formação ético-política dos discentes, mas também evidenciou a relevância de incluir, de modo sistemático, pautas voltadas às subjetividades dissidentes na formação em Psicologia. Em suma, a experiência reafirma a necessidade de espaços pedagógicos que integrem reflexão crítica, produção de sentidos e compromisso ético, compondo um processo formativo mais atento às complexidades contemporâneas do sujeito.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 4 - Corpo e Educação
Como Citar
(Des)construção de debates de gênero e sexualidade na Graduação em Psicologia. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18569084