Corpo estético e tecnológico: subjetividade em meio a padrões e avatares
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18569100Resumo
A relação entre corpo estético e tecnológico reflete uma complexa teia de influências que remodelam a subjetividade na era digital. As pessoas são constantemente confrontadas com padrões estéticos globais e locais veiculados pela mídia e pelas redes sociais. Essas normas, frequentemente idealizadas e inatingíveis, exercem pressão intensa sobre a autoimagem, ditando o que é aceitável, desejável e belo, o que impacta profundamente o bem-estar psíquico e emocional dos indivíduos. O humano aparece como um corpo híbrido entre o orgânico, o maquínico e o informático, simbiose capaz de fazê-lo ampliar sua própria condição perceptiva e simbólica. Nessas plataformas, o corpo se torna uma construção maleável, sujeita a filtros, edições e representações virtuais (avatares). Essa plasticidade digital permite a ressignificação da identidade corporal, mas também pode aprofundar a dissociação entre a persona online e o corpo físico, intensificando o mal-estar estético. A cibercultura transforma as corporeidades, fazendo com que a autoaceitação passe a depender, em grande parte, da validação e do desempenho da imagem digital. A influência tecnológica também se manifesta na arte e na mídia, linguagens nas quais o corpo é constantemente objeto de manipulação e intervenção. A arte contemporânea, por vezes, utiliza o corpo digital e o ciborgue para questionar limites e identidades, enquanto a mídia de massa reforça (ou, em raras exceções, critica) os padrões hegemônicos. Para enfrentar os impactos negativos desses padrões e da cultura digital, o trabalho sugere a necessidade de ações afirmativas focadas na crítica e na ressignificação da identidade corporal. Tais ações visam transformar o corpo de um objeto passivo em um espaço ativo de expressão e crítica e promovendo: oficinas com Avatares Digitais, em que jovens em situação de vulnerabilidade possam explorar e ressignificar suas identidades corporais de forma segura e criativa, desvinculando o valor da pessoa da estética biológica; projetos artísticos comunitários no desenvolvimento de iniciativas em contextos periféricos, que possam explorar a relação entre corpo e estética local, celebrando a diversidade e narrativas que fogem ao modelo globalizado; e programas educativos que problematizem o impacto dos padrões de beleza disseminados pela mídia e pela publicidade, estimulando o senso crítico e a literacia midiática nos estudantes. Por fim, refletir sobre a relação entre o corpo estético e tecnológico torna-se marcada pelo conflito entre a pressão por um ideal inatingível e o potencial de ressignificação na esfera digital e artística. A resposta a esse desafio está na educação crítica e em práticas que promovam a dignidade e a aceitação corporal a partir da subjetividade real, e não apenas do perfil idealizado.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 2 - Corpo Estético e Tecnológico
Como Citar
Corpo estético e tecnológico: subjetividade em meio a padrões e avatares. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18569100