A autoficção O Parque das Irmãs Magníficas: o espelho inverso e a gratuidade do mal
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568245Resumo
Este resumo apresenta a narrativa de cunho autobiográfico da obra O Parque das Irmãs Magníficas (2021) cujo enredo central descreve a vida cotidiana de uma travesti refém da prostituição, sobretudo solapada pela ditadura da imagem e pelas feridas obscenas da vida nua das ruas em comunhão com a soberania do biopoder. Adentramos a narrativa da violência cotidiana vivida por um grupo para refletir sobre o insuportável terror submetido por certas existências, capitaneado por uma sociedade que se nega a ver e, por vezes, expõe um discurso que se mascara por detrás de palavras acadêmicas vazias de representação para o todo. Por outro lado, apesar do cenário de violência narrada no território do desumano, encontramos poesia e realismo fantástico, como possibilidade de uma construção de si reparadora. A relevância do tema são as ligações entre o aparato biopolítico e as técnicas necropolíticas. O objetivo geral do trabalho é interrogar a qualidade do estranho freudiano através do espelho invertido do duplo, a partir de uma obra autoficcional da travesti latino-americana Camila Sosa Villada, visando compreender a gratuidade do mal a estes corpos. Ao enfatizar o caráter enigmático da cegueira deliberada ata-se uma cumplicidade cruel aos corpos pavoneados vulneráveis. O recurso metodológico parte da anamnese dos elementos textuais d’O parque das irmãs magníficas em diálogo com o texto de Freud – O estranho (1919) e Os três ensaios da teoria da sexualidade (1905) –, nos permitindo fundamentar concordâncias com a biopolítica e a era farmacopornográfica de Paul Preciado, em Testo Junkie (2023). Os principais aspectos alcançados com o cruzamento das fontes de investigação refere-se, ao corpo pavoneado como produto de uma indústria farmacopornográfica legitimando apenas os que fazem parte do pacto civilizatório normativo de classe, raça e gênero. Sendo assim, o outro na qualidade de imagem invertida do estranho, ou, do duplo maligno pode ser entregue a gratuidade do mal das pulsões parciais do olhar societário pela crueldade, posse e dominação. A cegueira delibera inclui uma sociedade que tende a naturalizar violências que são impostas socialmente e a cumplicidade cruel seria abster-se frente a política de morte vivida por certas existências. Por fim, seguindo o alerta de Preciado (2023) se existe uma tecno-Barbie eternamente jovem, hipersexualizada e completamente infértil, ou, um supermacho estéril, é, aí que está a indústria farmacopornográfica. No caso do corpo travesti, este não seria o mesmo corpo fabricado das heteronormatividades, e por isso, explicaria o despertar do terror e da fascinação.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 6 - Corpo Político e Marginalidades
Como Citar
A autoficção O Parque das Irmãs Magníficas: o espelho inverso e a gratuidade do mal. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568245