O corpo que ri: psicanálise, palhaçaria e literatura como cuidado clínico ampliado

Autores

  • Vanessa Castilho Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568267

Resumo

Este trabalho apresenta uma proposta de oficina terapêutica voltada para o público adulto, fundamentada na articulação entre psicanálise, palhaçaria e literatura como formas de cuidado clínico ampliado. As oficinas são espaços de escuta e criação, onde o corpo não é visto apenas como organismo, mas como território sensível, afetivo e simbólico. Trata-se de reconhecer os sujeitos como integrantes de seus próprios corpos e risos, valorizando a potência da linguagem e da imaginação como caminhos para a elaboração psíquica. A proposta parte da escuta psicanalítica, compreendida aqui como abertura ao inconsciente, às narrativas que escapam ao discurso racional e às formas de expressão que emergem pelo corpo. A palhaçaria é incorporada como ferramenta terapêutica, permitindo o encontro com o lado cômico da existência: o tropeço, o exagero, o erro acolhido com graça. O riso, nesse contexto, não se apresenta como distração ou fuga, mas como linguagem legítima de produção de sentido. Utiliza-se a literatura como ponto de partida simbólico para os encontros: fragmentos de romances, poesias e narrativas de ficção operam como dispositivos de escuta e criação. Por meio de leituras, dinâmicas corporais e escrita espontânea, os participantes são convidados a se conectar com sua subjetividade, reescrever suas histórias e inventar novos sentidos para o viver. O público das oficinas é composto por adultos diversos, alguns em situação de adoecimento físico ou emocional, outros em processos de transição de vida, luto, crise ou busca pessoal. A metodologia envolve rodas de leitura, jogos de palhaçaria, exercícios de presença, escrita de cartas e partilhas subjetivas. O espaço grupal é concebido como lugar ético de escuta e cuidado. Os resultados observados incluem o fortalecimento da autonomia simbólica dos participantes, o resgate da voz, a ampliação do repertório expressivo e a ressignificação de memórias e afetos. Em muitos casos, o riso emerge como potência de elaboração do trauma e reconexão com o prazer de existir. Esta experiência articula práticas clínicas humanizadas e interdisciplinares, alinhadas à proposta do eixo "Corpo Clínico", ao propor uma clínica que integra saberes da psicanálise, da arte e dos cuidados tradicionais, favorecendo a escuta dos corpos silenciados, normatizados ou adoecidos. O trabalho contribui para o debate sobre metodologias alternativas de cuidado, com ênfase na subjetividade como centro do processo terapêutico.

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Publicado

2025-12-15

Como Citar

O corpo que ri: psicanálise, palhaçaria e literatura como cuidado clínico ampliado. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568267