A função normativa docente a serviço da vigilância dos corpos no espaço escolar

Autores

  • Luiz Paulo Dos Santos Monteiro Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568273

Resumo

Neste trabalho, propomos um debate acerca dos efeitos nocivos da função normativa docente no espaço escolar. Entendemos que esta função atribuída ao educador contribui para o silenciamento e o consequentemente esvaziamento de seu senso crítico, em prol de uma normalização do ambiente educacional (Machado et al., 1978) e da conservação de práticas culturais hegemônicas, em consonância com conceitos neoliberais (Arreguy & Santos, 2023). Indagamos, assim, de que modo esse funcionamento normativo da educação estabelece um distanciamento da escola com outras manifestações culturais presentes em nossa sociedade, como aquelas oriundas dos povos originários e/ou da comunidade LGBTQIAPN+. Nesse sentido, apontamos para a necessidade de rompermos com a noção de escola tal qual um local que institui um modo único de educar a todos, eclipsando individualidades, sendo, desse modo, reduzida a uma entidade responsável pela docilização dos corpos (Foucault, 2022/1975), onde crianças e jovens teriam suas pulsões controladas e estariam prontos para aquilo que se entende como ideal de uma vida em sociedade. Nossas ponderações, entretanto, nos direcionam a uma leitura do espaço escolar na qual a aprendizagem se processa em relação com o mal-estar gerado pelo recalcamento das pulsões reprimidas (Freud, 2020/1930). A escola é, por nós, compreendida como um espaço de lutas pelo reconhecimento (Honneth, 2003) e de trocas simbólicas (Bourdieu, 1989) entre seus agentes. Logo, o presente trabalho tem por base a pesquisa desenvolvida durante nosso estágio de pós-doutorado, concluído em dezembro de 2024, que propõe como tema o estudo clínico-político da prática docente de professores do campus Realengo II, do Colégio Pedro II, situado na cidade do Rio de Janeiro. O projeto norteador desta pesquisa foi submetido ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense e seguiu os protocolos éticos exigidos pelas instituições participantes. Este estudo se desenvolveu a partir de um trabalho de interlocução da psicanálise com o quadro sociopolítico da atualidade e com a filosofia crítica, enfatizando os conceitos de “linguagem da ternura” e de “linguagem da paixão” de Sandor Ferenczi (1932). A pesquisa pretendeu, primeiramente, investigar de que modo a “linguagem da ternura” e a “linguagem da paixão” integram a prática docente, diante das exigências normativas que regulam o trabalho dos professores do CPII. Como segundo objetivo específico, buscou-se analisar em que medida o docente do campus Realengo II, do referido colégio, conserva seu pensamento crítico e sua autonomia frente aos traumas produzidos no espaço escolar. A relevância deste trabalho se justifica na medida em que são crescentes as queixas dos professores do campus em relação à falta de prazer ou de motivação no exercício da docência e, por isso, promovemos uma intervenção articulada à escuta desses profissionais, de modo a permitir que expressassem os seus sentimentos diante de seu trabalho e de sua relação com os seus pares e seus discentes.

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Publicado

2025-12-15

Como Citar

A função normativa docente a serviço da vigilância dos corpos no espaço escolar. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568273