Entre o Dogma e o Afeto: A Suavização dos Discursos Pentecostais Frente a Vivências Familiares LGBTQIA+

Autores

  • Célio César de Aguiar Lima Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568287

Resumo

O presente artigo analisa as transformações nos discursos de líderes e fiéis evangélicos pentecostais diante de experiências pessoais com familiares LGBTQIA+. A partir de uma abordagem qualitativa e interdisciplinar, que envolve estudos sociológicos, teológicos e antropológicos, observa-se que a intransigência doutrinária tende a ser flexibilizada quando a realidade LGBTQIA+ emerge no âmbito familiar. Casos como o do bispo Edir Macedo, cujo filho adotivo é homossexual, e do pastor Silas Malafaia, que tem um sobrinho assumidamente gay, são exemplares na compreensão das tensões entre dogma e afeto. A análise aponta que o contato direto e afetivo com pessoas LGBTQIA+ provoca rupturas na rigidez discursiva, revelando que a hostilidade anterior era muitas vezes fruto da ignorância ou da ausência de vínculos empáticos com a realidade vivida por tais sujeitos. O movimento pentecostal, sobretudo em suas expressões brasileiras, tem historicamente construído discursos teológicos de forte oposição às identidades e práticas sexuais não-heteronormativas. Com base em interpretações literais e descontextualizadas das Escrituras, líderes evangélicos acusam a homossexualidade de ser pecado, doença ou desvio moral. No entanto, nas últimas décadas, observa-se um fenômeno que desafia a rigidez dessa postura: a suavização do discurso entre fiéis e líderes que possuem familiares LGBTQIA+. Este artigo investiga os efeitos do vínculo afetivo na reformulação da linguagem religiosa, questionando a rigidez doutrinária e revelando como a experiência concreta desafia a ortodoxia tradicional. A experiência familiar tem se mostrado um dos principais fatores de inflexão nos discursos pentecostais sobre a população LGBTQIA+. Embora a teologia oficial permaneça rígida em muitos contextos, a convivência próxima com filhos, sobrinhos e netos homossexuais tem provocado deslocamentos na linguagem e nos afetos. O amor, nesse sentido, emerge como instância de resistência à ortodoxia excludente, revelando que o dogma não é inquebrantável diante da realidade vivida. A análise dos casos de Edir Macedo, Silas Malafaia e de fiéis comuns permite concluir que a transformação é possível quando a religião se encontra com a experiência concreta e pessoal. O desafio que se impõe é transformar essa empatia familiar em uma ética mais ampla de acolhimento, que reconheça a dignidade das pessoas LGBTQIA+ como plenamente compatível com a fé cristã.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 7 - Corpo Subjetivo e Psicanálise

Como Citar

Entre o Dogma e o Afeto: A Suavização dos Discursos Pentecostais Frente a Vivências Familiares LGBTQIA+. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568287