O corpo da mulher e o câncer de mama – Uma experiência de DEsidentificação

Autores

  • Andréa Pinheiro Bonfante Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568293

Resumo

Partindo da premissa de que o corpo é um lugar onde o sujeito encontra o mundo ao seu redor, e tido como ponto de partida para um campo de possibilidades transformadoras, trago então a seguinte pergunta e algumas reflexões que pretendo desenvolver aqui, alinhando a proposta da jornada aos meus atravessamentos: que corpo biológico, objeto da medicina e de intervenções cirúrgicas é esse, que a mulher, mutilada pelo câncer de mama, se vê diante? Que experiência de “DEsidentificação” é essa? A proposta do texto pauta-se nas experiências clínicas e intervenções médicas e usa como metodologia um breve relato das vivências da própria autora e dos relatos das mulheres do grupo de apoio, criada por ela, com o objetivo de acolher. Essa fala que falha no contexto social, que nem sempre valida suas queixas e dores. O diagnóstico da doença, e tudo que ele traz, violenta o corpo da mulher no que tange a condição física concreta, palpável e localizada, carimbada no corpo de toda mulher que se vê diante de um diagnóstico de câncer de mama, também atravessa de forma avassaladora esse corpo social, cobrando performance e rejeitando qualquer outra proposta que não seja a padronização e os estereótipos de beleza que a sociedade insiste em perpetuar como herança Mal-dita, condição sine qua non sobre o que é ser uma mulher. Sonhos, projetos tomados e principalmente o corpo marcado, pois a doença se encarrega de deixar marcas indeléveis no corpo físico e no psiquismo desta mulher, que atordoada por toda essa tempestade de eventos cataclísmicos se vê diante dessa DESidentificação, que não se reconhece mais frente ao espelho, que sem floreios lhe mostra as olheiras, a mama esvaziada ou lhe tirado um quadrante, arrancando-lhe suas auréolas e lhe deixando desnuda dessa sua identidade feminina, o seio. Para tantas outras, não é só isso que a doença toma, coloca-as diante de um luto sem precedentes. O luto da saúde perdida, do corpo saudável, e de tantos outros diante da eminência da recidiva e da metástase, frente a um grande enigma. E como a psicanálise pode contribuir como força emancipadora para resgatar esses corpos e suas subjetividades? Quais experiências transformadoras podemos REinventar para dar a essas mulheres uma escuta acolhedora, que possa promover autonomia e revelar a potência e as forças criativas desses sujeitos? O grupo de Whatsapp® “O Seio da palavra”, nome escolhido por uma homenagem dedicada a mim, através de um poema escrito por uma das minhas alunas, propõe ali, na intimidade das conversas coletivas, por mais que pareça um paradoxo, abrir espaço para que essas mulheres falem de suas dores, que possam ser ouvidas e acolhidas, compartilhando com outras as experiências e seus “experimentos”, na luta de suas superações.

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Publicado

2025-12-15

Como Citar

O corpo da mulher e o câncer de mama – Uma experiência de DEsidentificação. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568293