Corpo motriz e experiência estética: elaborações de resistência ao neoliberalismo

Autores

  • Mariana Bergo Damaso Silva Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568301

Resumo

Este trabalho, resultado de uma pesquisa de doutoramento, propõe uma reflexão crítica sobre o corpo enquanto centro da experiência formativa, articulando contribuições da dança-teatro de Pina Bausch, com as elaborações da teoria crítica de Theodor Adorno e da psicanálise lacaniana. A partir da concepção do corpo como mediação entre o sujeito e o mundo, compreende-se a corporeidade como local de articulação de tensões históricas e sociais que recaem sobre a subjetividade. O movimento corporal, longe de ser apenas funcional, é apresentado como componente da linguagem e como meio de manifestação de desejos, afetos e, possivelmente, de resistências. Nessa perspectiva, o gesto, a postura e o ritmo são compreendidos como expressões estéticas de modos de produção de sentido e de subjetivação sendo, portanto, objetos de práticas de dominação. Ao problematizar a centralidade do corpo nos processos tanto de formação quanto de dominação social, o presente trabalho investiga como as práticas disciplinares, historicamente moldam o corpo à imagem da máquina, impondo normatizações que visam a eficiência produtiva. A crítica à racionalidade contemporânea evidencia como a ideologia atua sobre o corpo, convertendo a identidade corporal em objeto de consumo e naturalizando a submissão do sujeito a tal lógica. Como modelo de análise, a dança-teatro de Pina Bausch é investigada como representante de um processo de ruptura com o paradigma racionalista, rompendo a noção de corpo como extensão da razão e o destacando como potência expressiva autônoma, capaz de apresentar o indizível e de provocar o estranhamento necessário à reflexão crítica. A arte com enfoque corporal, nesse sentido, não se limita à comunicação, mas à expressão de uma alteridade que escapa à racionalidade instrumental e revela o não-idêntico silenciado pela lógica do capital. Com base no referencial teórico mobilizado no trabalho, a contemporaneidade é caracterizada pelo apelo neoliberal de estruturação social e o corpo é compreendido como simultaneamente biológico, simbólico e pulsional, resultado da inscrição do sujeito no mundo. A experiência estética, ao recuperar a dimensão sensível do sujeito e a potencialidade expressiva do corpo, abre espaço para a contestação da semiformação e da massificação subjetiva. A forma artística apresentada pela dança-teatro, ao articular unidade e multiplicidade, promove a emergência do outro e permite ao sujeito reencontrar-se com sua dimensão singular. Dessa forma, o corpo em movimento torna-se operador crítico da cultura, revelando-se como lugar de luta simbólica e de reconstrução do humano frente à objetificação promovida pelas estruturas de dominação contemporâneas.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 2 - Corpo Estético e Tecnológico

Como Citar

Corpo motriz e experiência estética: elaborações de resistência ao neoliberalismo. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568301