Adolescência e o corpo em tela: subjetivação em tempos de hiperconectividade
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568317Resumo
Este trabalho analisa os modos de subjetivação durante a adolescência atravessada pelo excesso de hiperconectividade, configurada como um tipo de laço virtualizado marcado pela disseminação de imagens do próprio adolescente em redes sociais. A pesquisa de iniciação científica examina documentos oficiais, institucionais e midiáticos produzidos nos últimos cinco anos, buscando compreender como os discursos atuais constroem sentidos sobre o modo de ser adolescente, de se vincular e criar conexões afetivas em tempos digitais. Nosso estudo questiona os efeitos subjetivos e simbólicos da virtualização das relações e da substituição do outro encarnado por um outro-virtual, impondo um novo regime de temporalidade. O adolescente é, por excelência, aquele que se constrói entre faltas. O corpo muda, o nome não basta, e a presença do outro torna-se condição para que algo de si se organize no campo simbólico. É nesse momento da vida que a pergunta “quem sou eu para o outro?” ganha contornos urgentes, e o olhar do outro se torna vital. No entanto, na contemporaneidade marcada pela hiperconectividade, esse outro que responde, que limita, mostra-se cada vez mais dissolvido em telas, algoritmos e avatares. Ao observarmos os modos de laço entre adolescentes e seus pares nas redes sociais, vemos surgir uma nova topologia do desejo: um desejo de ser visto, curtido, reconhecido — mas sem angústia, sem demora, sem falta. A escuta cede lugar à performance; o afeto, ao algoritmo. A validação torna-se moeda, e o gozo se desloca para o terreno da repetição imagética, em que corpos se tornam perfis e as diferenças são silenciadas por filtros. O que se oferece como comunicação é, muitas vezes, apenas um eco superficial, marcado pela circularidade narcísica e pela fragilidade dos vínculos. Assim, o adolescente encontra-se diante de um novo impasse: como se constituir quando o outro é uma interface? Como elaborar a dor, a diferença e o desejo em um espaço que exige respostas rápidas e identidades fixas? A alteridade, que antes convocava à simbolização, hoje aparece como ameaça à lógica do igual. A escuta do mal-estar é substituída por métricas de engajamento. A linguagem perde sua polissemia, e o corpo se vê capturado por um ideal imagético inatingível. Esse cenário convoca a Psicanálise a repensar os contornos do laço virtualizado, do sintoma e do modo de subjetivação na contemporaneidade. O adolescente em tela é também o sujeito em queda, que busca no like um resto de olhar, que deseja na notificação um sinal de existência. A questão que se impõe é: como sustentar a transmissão do desejo em uma cultura que recusa a falta e estetiza a dor? Entre telas e silêncios, este trabalho propõe escutar o que ainda pulsa.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 2 - Corpo Estético e Tecnológico
Como Citar
Adolescência e o corpo em tela: subjetivação em tempos de hiperconectividade. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568317