A ex-sistência da violência no diagnóstico estrutural: caso Atlas
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568333Resumo
Este resumo apresenta o caso clínico de "Atlas", sob a ótica da psicanálise e de epistemologias decoloniais e antirracistas. Através da metáfora do mito de Atlas, que sustenta os céus, o texto investiga como o sujeito pôde deslizar de um discurso concreto-persecutório para um caminho de fazer fala própria e corpo próprio. O método é o relato de caso clínico e a análise se estrutura em três eixos. O primeiro aborda o uso da pasta de documentos como gadget de autoafirmação diante de um Outro tirânico; o segundo marca a evitação do olhar como defesa contra a culpa imputada e a violência simbólica; e o terceiro, marca sua escolha pela leitura como modo de vida e descolonização do sofrimento psíquico, através do uso dos livros. O caso ilustra a interseção entre racismo, psicopatologia e a subjetividade. Utilizei o referencial psicanalítico da clínica das psicoses, para descrever como o caso Atlas apontou, para mim, a necessidade de escutar as interseccionalidades, além do diagnóstico estrutural. Embora seu discurso demonstrasse uma organização cristalizada, minha própria posição quanto à direção do tratamento oscilou por diversas vezes, a cada nova violência relatada, pois estas complexificavam as relações de Atlas com o mundo. Escolhi a pasta, o olhar e os livros, mas poderia seguir por muitos caminhos. Trata-se de uma escrita sobre o que Atlas me ensinou, para a clínica psicanalítica. Ao mesmo tempo em que destaco um uso decolonial da clínica das psicoses, apresento como Atlas pôde se reinventar pelos livros, a partir de estratégias afetivo-sociais fora do real da violência, apresentado a ele, muito precocemente.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 1 - Corpo Clínico
Como Citar
A ex-sistência da violência no diagnóstico estrutural: caso Atlas. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568333