Corpo precarizado: mapeando os impactos da informalidade na saúde física e mental de trabalhadores urbanos

Autores

  • José Muriel Oliveira Alves Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568348

Resumo

A crescente precarização do trabalho, impulsionada por transformações econômicas e a flexibilização das relações laborais, tem levado milhões de indivíduos a atuar na informalidade. No Brasil, esse fenômeno é especialmente relevante, com grande parte da população economicamente ativa engajada em atividades sem vínculo empregatício formal. Este cenário, embora muitas vezes visto como uma alternativa para a subsistência, traz consigo uma série de desafios que se refletem diretamente no corpo e na saúde do trabalhador. A ausência de direitos trabalhistas, a jornada exaustiva e a instabilidade financeira são fatores que contribuem para um quadro de vulnerabilidade que se manifesta tanto no aspecto físico quanto no mental, gerando um ciclo de desgaste e adoecimento. Este estudo busca aprofundar a compreensão sobre essa realidade, investigando como a informalidade molda a experiência corporal e de saúde dos trabalhadores urbanos. O objetivo geral desta pesquisa é mapear e analisar os impactos da informalidade na saúde física e mental de trabalhadores urbanos, identificando as principais vulnerabilidades e estratégias de enfrentamento adotadas por esses indivíduos. De forma específica, busca-se: descrever as condições de trabalho e vida de trabalhadores informais; analisar as manifestações de desgaste físico (dores crônicas, lesões) e mental (estresse, ansiedade, depressão) relatadas; e compreender a percepção desses trabalhadores sobre o próprio corpo e a relação entre trabalho e saúde. A pesquisa caracteriza-se como um estudo qualitativo, de caráter exploratório e descritivo. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com trabalhadores informais de diferentes setores. Os nomes dos participantes foram anonimizados para garantir o sigilo e a privacidade. Os resultados da pesquisa indicam que a informalidade impõe um constante desgaste físico e mental. O corpo do trabalhador informal é frequentemente levado ao limite, manifestando-se em dores crônicas, lesões por esforço repetitivo e esgotamento. Em paralelo, a instabilidade e a falta de segurança geram um quadro de ansiedade, estresse e angústia constante. Muitos dos entrevistados relataram a dificuldade em separar a vida pessoal da profissional, com a preocupação com o trabalho invadindo todos os aspectos da vida. A pesquisa também revelou que, apesar das adversidades, os trabalhadores desenvolvem estratégias de resiliência e apoio mútuo, embora a falta de acesso a serviços de saúde adequados persista como uma barreira significativa. Este estudo reforça a necessidade de uma visão mais abrangente sobre a saúde do trabalhador, que vá além das doenças ocupacionais formais e considere as complexas interações entre trabalho, corpo e saúde na informalidade. Os achados sublinham a urgência de políticas públicas que não apenas regulamentem o trabalho informal, mas que também ofereçam redes de suporte e acesso à saúde para essa parcela da população. A pesquisa contribui para ampliar o debate sobre o tema, oferecendo uma perspectiva qualitativa que dá voz e visibilidade às experiências de indivíduos cujos corpos são constantemente tensionados pelas exigências de um mercado de trabalho cada vez mais precário.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2025-12-15

Como Citar

Corpo precarizado: mapeando os impactos da informalidade na saúde física e mental de trabalhadores urbanos. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568348