Poéticas da sobrevivência: canibalismo, arte queer contemporânea e psicanálise
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568400Resumo
Este trabalho parte da problemática da representação da violência e do trauma na arte contemporânea, especialmente em produções queer e dissidentes, para propor uma reflexão sobre o canibalismo e violência simbólica como linguagem estética e recurso de análise psicanalítica. Em contextos marcados por marginalização, normatividades clínicas e exclusões históricas, imagens-limite como a devoração, a brutalidade erótica e o corpo em sacrifício emergem não como patologias, mas como dispositivos de sobrevivência, reinvenção e resistência subjetiva. O objetivo central é a análise da expressão cultural em obras audiovisuais, composições estéticas contemporâneas como as narrativas à arte experimental a seu modo reconfiguram a violência em metáfora estética. A pesquisa mobiliza referenciais teóricas para compreender como o gesto de consumo sexual-canibal, reinscrito por artistas queer, atua como contradiscurso e tecnologia de subjetivação. A metodologia adotada é qualitativa e interdisciplinar, combinando análise cultural e estética. O ato de violência, para além do espetáculo visível, evidencia camadas simbólicas e afetivas. Uma abordagem que permite articular elementos estéticos na interpretação das representações da dor, do trauma e do canibalismo simbólico, situando obras no contexto das práticas queer e dissidentes. A perspectiva psicanalítica fundamenta a leitura do canibalismo como elemento constitutivo das relações objetais e como metáfora de consumo/destruição do corpo racializado e dissidente, enquanto contribui para interpretar a hibridez e o pós-humanismo dessas subjetividades. Os resultados parciais indicam que, ao reinscrever a violência em chave simbólica, a arte queer transforma o estigma em potência criativa. As imagens de dor, deslocam o espectador, convocando-o a uma posição ética e afetiva que rompe com o consumo passivo. Nessas poéticas da sobrevivência, a devoração torna-se gesto político: devoram-se estereótipos, traumas e narrativas coloniais, devolvendo ao espaço cultural corpos que resistem e reimaginam a complexidade do desejo. Conclui-se que o canibalismo simbólico, quando apropriado por artistas queer, não reitera a barbárie literal, mas cria um campo de experimentação subjetiva-subversiva que recusa a patologização das diferenças. Essa operação estética e psicanalítica propõe novas formas de ser e estar no mundo, articulando corpo, linguagem e memória como territórios de resistência. A pesquisa contribui para os debates sobre corpo e subjetividade, apontando a arte como ferramenta de emancipação e como espaço de elaboração de experiências limite, especialmente para sujeitos que habitam as fronteiras sociais e simbólicas.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 6 - Corpo Político e Marginalidades
Como Citar
Poéticas da sobrevivência: canibalismo, arte queer contemporânea e psicanálise. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568400