O corpo digital e a espera da alma: psicanálise e poesia a partir de Verena Kast
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568426Resumo
Problema e relevância, neste resumo, nosso objetivo é pensar sobre as mudanças no corpo dentro do cenário estético e tecnológico atual, usando como base os trabalhos de Verena Kast e os princípios da psicanálise. A autora lembra que "a alma precisa de tempo" (KAST, 2011, p. 15) para absorver vivências e sentimentos, ressaltando a importância das pausas internas como condição para que a subjetividade possa elaborar experiências e dar sentido às emoções. Em contrapartida, o corpo digital é marcado pela lógica da rapidez dos algoritmos, pela atualização constante, pelo consumo imediato e pela uniformização da imagem. Esse contraste revela o choque entre o corpo simbólico, que busca expressão, morada e singularidade, e o corpo virtual, sempre fragmentado, artificial e exposto como espetáculo. Objetivo, em psicanálise, Freud (2011) diz que o corpo é a referência do ser: "o ser é, acima de tudo, um ser corporal" (Freud, 2011, p. 40). Essa perspectiva se aproxima das ideias de Kast, já que ambas mostram a importância de um tempo pessoal e de um espaço simbólico que permita que a vivência do corpo tenha sentido. A metodologia baseou-se na análise interpretativa das obras de Freud e Verena Kast, o corpo, quando vira só um show e uma vitrine, perde sua função de refúgio, abrigo, tornando-se apenas um objeto de visibilidade e consumo, submetido às pressões da estética digital e do olhar alheio. A escrita poética, pode ser assim, uma forma de resistir e processar. Ao dizer: escrevo para que meu corpo não seja só vitrine, mas lar, sugerimos que a poesia possa funcionar como um momento criativo capaz de devolver ao corpo sua força simbólica e sua individualidade. O gesto da escrita poética se parece com o papel da psicanálise de dar forma ao que não se pode dizer, permitindo que a pessoa resista à padronização estética imposta pelo mundo digital. Os resultados apontam que, a tensão entre corpo, psique e tecnologia é, portanto, atravessada por uma disputa entre aceleração e pausa, exposição e interioridade, uniformização e singularidade. O corpo digital, padronizado por filtros e algoritmos, tende a se distanciar de sua dimensão simbólica, reduzindo-se a mercadoria estética. Entretanto, tanto a psicanálise quanto a poesia oferecem caminhos de resistência. A conexão entre ambos revela que o corpo pode ser resgatado como espaço de memória, criação e elaboração subjetiva. Considerações finais, conclui-se, então, que a colaboração de Verena Kast, junto com a psicanálise de Freud, compreende o corpo como um lugar de lembrança, criação e resistência. A escrita poética, nesse contexto, não é só um enfeite, mas um jeito de lidar com as tensões entre corpo, psique e tecnologia, dando à pessoa a chance de se sentir em casa em meio à pressa e às cobranças da cultura digital.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 2 - Corpo Estético e Tecnológico
Como Citar
O corpo digital e a espera da alma: psicanálise e poesia a partir de Verena Kast. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568426