Rupturas e epistemologias insurgentes: descolonizando a formação do bailarino clássico na ETDUFPA

Autores

  • João Carlos Cunha Dergan Autor
  • Francisco Clever Ferreira Lobato Junior Autor
  • Stella Sabrina Sther Mendes Ferreira Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568452

Resumo

Este estudo propõe uma análise autoetnográfica performativa acerca das relações entre corpos de pessoas com deficiência e os regimes sociais e culturais que historicamente os tornaram visíveis ou invisíveis. O problema de pesquisa situa-se na persistente marginalização da deficiência no campo do balé clássico, marcada pelo ideal de corpo técnico, simétrico e disciplinado. O objetivo geral consiste em compreender como bailarinos com deficiência, ao ocuparem a cena, produzem deslocamentos epistemológicos e reconfiguram os sentidos de técnica, beleza e legitimidade na arte. A investigação adota como metodologia a autoetnografia performática, compreendida como prática de pesquisa que une narrativa pessoal, reflexão crítica e encenação da experiência no ato da escrita. Segundo Spry (2001), a autoetnografia performática busca articular a subjetividade encarnada do pesquisador à crítica social e cultural, transformando a escrita em ato estético-político. Nessa mesma direção, Bochner (2000) entende a autoetnografia como escrita evocativa, capaz de mobilizar a experiência pessoal para iluminar dimensões mais amplas da vida social. Os resultados revelam que a presença de corpos dissidentes na cena não apenas expõe os limites de uma gramática corporal hegemônica, mas também instaura novas formas de criação, afirmando a diferença como potência poética e política. No caso da ETDUFPA, a entrada de estudantes com deficiência simboliza um gesto de ruptura epistêmica, em que a diversidade corporal ressignifica os parâmetros de excelência e amplia os horizontes da formação artística. Conclui-se que esta experiência contribui para a constituição de uma dança insurgente, produtora de saberes e capaz de instaurar novas epistemologias no campo da dança clássica

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 5 - Corpo Histórico e Antropológico

Como Citar

Rupturas e epistemologias insurgentes: descolonizando a formação do bailarino clássico na ETDUFPA. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568452