Não-binariedade e o édipo: da escola ao divã
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568498Resumo
A não-binariedade trata-se de condição cuja classificação e estudo é tema muito recente, apesar de ser condição provavelmente tão antiga quanto a própria espécie humana. Trata-se de uma identidade de gênero dentro da comunidade LGBTQIAPN+ que desafia a noção normativa da binariedade homem/mulher como únicas opções de existência. Neste estudo trago visões que subvertem e questionam o complexo de Édipo e a castração simbólica, bem como a importância da informação e da naturalização destas vivências não só desde a escola, para a formação de uma identidade sólida, empoderada, mas também na clínica para o atendimento terapêutico destas pessoas que sofrem inúmeras violências. Para tal me baseio em pesquisa bibliográfica – principalmente em textos de pesquisadores nacionais – que dá corpus à análise de minha própria experiência pessoal como pessoa trans não-binárie educada no contexto dos anos 70/80. Observei que o conceito fundamental do Édipo vem em extenso questionamento desde autores como Deleuze e Guattari, sendo que para alguns colegas, a não-binariedade trata-se de manifestação de cunho psicótico ou até mesmo de perversão, o que busco contestar com o apoio de autores na área de psicanálise e questões de gênero, como Márcia Arán, Amara Moira, Daniela Couto, Jean Laplanche, Sara York, Eloisio Souza, Jinx Vilhas, e filósofos tais como Judith Butler, Michel Foucault, Paul Preciado. Discuto quanto o conceito de Freud de família heterossexual tradicional burguesa foi tendo seus pilares significantes de pai e mãe como figuras encarnadas da diferença sexual anatômica e do seu teatro no Édipo transformada por Lacan em papéis como o Desejo Materno e o Nome-do-Pai acessíveis a quaisquer cuidadores independentes do sexo biológico, possibilitando para autores contemporâneos elaborar suas teses de subjetivação mesmo em situações de homoparentalidade ou de mães solteiras. Através do levantamento feito, também pude constatar a exclusão que crianças com tendências LGBTQIAPN+ sofrem e a grande necessidade de que seja colocada em prática uma política nacional de ensino das diversidades sexuais e de gênero em contexto escolar desde a tenra idade. As fontes mostraram-se escassas sobre o assunto, apontando para a necessidade de produzir saberes sobre o tema, problematizar nossas políticas, nossos atendimentos clínicos, e até mesmo revisar textos tidos como pilares de nossa práxis psicanalítica.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 7 - Corpo Subjetivo e Psicanálise
Como Citar
Não-binariedade e o édipo: da escola ao divã. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568498