Elementos para uma virada ontológica na psicanálise: diálogos com o pensamento ameríndio e com as religiões de matriz africana
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568521Resumo
Diferentemente da chamada “virada linguística”, cuja característica principal esteve amiúde na ênfase do papel mediador da linguagem, da cultura e das estruturas simbólicas como forma de acesso à realidade, a “virada ontológica” tem buscado a compreensão dos entes que a constituem para além do que é ou do que pode ser dito. O “realismo especulativo”, a “ontologia orientada a objetos” e os “novos materialismos” são exemplos da destituição da centralidade da epistemologia inerente ao projeto da virada linguística, numa tentativa de ensejar uma perspectiva não-antropocêntrica em que humanos, não-humanos e seres mais-que-humanos passem a ser cada vez mais fundamentais na teorização da realidade, sobretudo, em seus potenciais de agência. Quais são as possíveis implicações da virada ontológica para a metapsicologia e para a clínica psicanalíticas, sobretudo, aquela elaborada pela antropologia em seu diálogo com as populações ameríndias e com as religiões de matriz africana? Aqui não se pretende, obviamente, responder à questão de modo definitivo, mas usá-la como mote para aportar um conjunto de reflexões sobre o que acontece quando o sujeito já não é mais pensado quase que exclusivamente pela realidade psíquica redutível aos efeitos da linguagem e das estruturas simbólicas. Ainda que o real lacaniano como a dimensão da existência que está além do sentido e do significado humanos apresente respostas possíveis à problemática do presente ensaio, a releitura deste real pela produção antropológica do final do século XX sobre as populações ameríndias e sobre as religiões de matriz africana apresenta caminhos igualmente frutíferos e, quiçá, inteiramente diferentes. O pressuposto de base é de que a construção de referências segundo as quais o “sujeito” é um ente que existe, age e se relaciona com outros entes que não são meros investimentos psíquicos internos ou suportes de projeções e fantasias internas pode ser um dispositivo metapsicológico e clínico interessante pelo qual se deixa de apreender o ente por concepções a priori para tomá-lo em sua corporalidade radical, um exercício de uma psicanálise sem álibi, para dizer derridianamente, ou, ainda, uma inspirada no “teatro da crueldade”, para dizer com Antonin Artaud.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 5 - Corpo Histórico e Antropológico
Como Citar
Elementos para uma virada ontológica na psicanálise: diálogos com o pensamento ameríndio e com as religiões de matriz africana. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568521