Corpo e política nas reflexões de Judith Butler: análise temática reflexiva a partir de grupo de estudos sobre gênero
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568527Resumo
Os estudos de gênero constituem campo central para a análise crítica das estruturas sociais e históricas que sustentam desigualdades, especialmente quando articulados às trajetórias do feminismo. Nas últimas décadas, diversas abordagens teóricas têm problematizado categorias como identidade, corpo, sexualidade e poder, contribuindo para práticas acadêmicas e políticas mais inclusivas. Nesse contexto, a criação do grupo de estudos da Liga Acadêmica de Estudos em Gênero e Sexualidade (LAEGS) da Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) responde à necessidade de fomentar reflexões críticas por meio de leituras coletivas, promovendo o diálogo entre teoria e prática social. Neste sentido, o objetivo deste relato é apresentar as reflexões do LAEGS, a partir da leitura e debate do conteúdo proposto pelo capítulo um da obra “Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade” (2018), de Judith Butler, estudada durante o primeiro semestre de 2025. A análise das discussões seguiu os pressupostos da Análise Temática Reflexiva, de Braun e Clarke (2017), revelando quatro temas principais: binarismo, política, sexo/gênero e corpo. O binarismo de gênero (masculino/feminino) é criticado por Butler como estrutura limitadora e excludente, que descontextualiza a especificidade do feminino e reproduz normas que restringem identidades possíveis. Ao desconstruir a identidade como algo fixo, a autora avança para a crítica política, voltando-se, especialmente, ao feminismo. Ela propõe a análise do corpo como território político, moldado por relações de poder e práticas discursivas. Butler destaca a necessidade de criticar as categorias de identidade naturalizadas pelas estruturas jurídicas contemporâneas, que as tornam estáticas e excludentes. A distinção entre sexo e gênero é outro ponto central. Enquanto o sexo é, frequentemente, entendido como dado biológico, o gênero é construído culturalmente. Butler enfatiza que o gênero não é reflexo direto do sexo, nem possui a mesma estabilidade aparente. Isso desmonta a ideia de que o corpo biológico determina, automaticamente, a identidade de gênero, ressaltando a natureza normativa dessas construções sociais. O corpo, por sua vez, é compreendido, não como entidade neutra, mas como território simbólico permeado por significados culturais. Não existe corpo “puro”, ou não interpretado, ele sempre já está inserido em redes de sentidos e relações de poder. Butler propõe, assim, a ideia de corpo político, o corpo que não apenas sofre os efeitos das normas sociais, mas também pode resistir a elas. As discussões no grupo de estudos evidenciaram o caráter provocativo e disruptivo da obra de Butler, que desafia concepções cristalizadas sobre identidade, corpo e sexualidade. Suas reflexões estimulam, não apenas o pensamento teórico, mas também ações políticas, ao sugerir a desconstrução das categorias fixas de gênero como estratégia de resistência às normatividades sociais. Nessa perspectiva, o corpo deixa de ser visto como mero suporte biológico para tornar-se campo de disputa simbólica e política, no qual se articulam tanto mecanismos de regulação quanto possibilidades de subversão. As reflexões proporcionadas por estes encontros refletem na necessidade de continuidade dos estudos, com isso o grupo LAEGS pretende fortalecer esses estudos e criar o vínculo de estudos com o Ambulatório de Gênero e Sexualidade da UNAERP.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 6 - Corpo Político e Marginalidades
Como Citar
Corpo e política nas reflexões de Judith Butler: análise temática reflexiva a partir de grupo de estudos sobre gênero. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568527