Discurso capitalista e o mercado da beleza

Autores

  • Nicole Oliveira Rocha Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568561

Resumo

Em uma cultura de supervalorização da aparência, o corpo tornou-se o principal objeto de investimento do sujeito contemporâneo. O mercado da beleza apresenta-se em constante crescimento, promovendo um catálogo diversificado de cosméticos, medicamentos, procedimentos estéticos e cirurgias plásticas. Na contemporaneidade, o fenômeno da moralização da beleza converte a inadequação estética em sinônimo de falha moral e impõe seu ajustamento, consolidando a beleza como um significativo marcador de inclusão social e, portanto, contribuindo para o mal-estar corporal dos sujeitos que não se enquadram no padrão estético. Para retratar esse fenômeno social, buscou-se compreender de que forma a cultura e a sociedade capitalista contribuem para o mal-estar corporal, investigar os fatores que sustentam a busca inesgotável pela beleza, por meio do investimento, do sacrifício e da disciplina com o próprio corpo, assim como os impactos nos modos de subjetivação em uma sociedade que supervaloriza a beleza e o consumo. O estudo tem como objetivo investigar a relação entre o discurso capitalista e a beleza, uma vez que a imagem, a estética e o corpo passaram por um processo de mercantilização, consolidando o corpo como fonte de mal-estar contemporâneo. Para analisar esse fenômeno, realizou-se uma pesquisa teórica fundamentada na psicanálise, especialmente nas contribuições de Sigmund Freud e Jacques Lacan, para compreender os modos de subjetivação e o sofrimento psíquico na contemporaneidade, em articulação interdisciplinar com autores da crítica social e cultural. Identificou-se que o capitalismo não determina apenas normas econômicas, mas também valores sociais e culturais, vinculando-os ao próprio sujeito, que tem seu corpo reduzido a um objeto de consumo, tornando-se responsável por empreender em si mesmo, sobretudo na imagem corporal como símbolo de valor individual. O corpo belo não é visto como um atributo da natureza corporal, mas como um traço de moralidade e competência, condenando os corpos fora do padrão estético à desumanização, à marginalização e à exclusão social. Nessa lógica, a mulher é a mais afetada, uma vez que seu valor histórico está associado à beleza, o que a torna invisibilizada à medida que se distancia do padrão estético. O discurso capitalista se beneficia desse mal-estar corporal ao promover falsamente o consumo como solução, perpetuando o excesso de consumo e autossacrifício sustentados na fantasia de completude. Trata-se de uma cultura narcísica que marcou a subjetividade contemporânea pelo investimento no próprio eu, pautado no desejo de validação do outro. Conclui-se que essa cultura promove o enfraquecimento dos laços sociais, a perda da singularidade e perpetua formas de discriminação, contribuindo com o sofrimento psíquico. Nesse cenário, a psicanálise assume um papel fundamental como instrumento de resistência diante de um sistema que lucra com a insatisfação, atuando na contramão do discurso de dominação. Desse modo, a pesquisa visa contribuir com a conscientização acerca do adoecimento promovido pelo discurso mercadológico, a desconstrução de ideais normativos que subjugam os corpos e o estímulo de práticas e discursos que promovam a valorização da singularidade, da diversidade e a inclusão.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 7 - Corpo Subjetivo e Psicanálise

Como Citar

Discurso capitalista e o mercado da beleza. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568561