A engrenagem da servidão’: a alternativa ciborgue e o (in)consciente colonialista

Autores

  • João Peçanha Autor
  • Iago Santos Pires de Sousa Ghazi Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568186

Resumo

Este artigo investiga as dinâmicas coloniais e os estereótipos subalternizantes que ainda estão presentes na sociedade contemporânea, tomando como ponto de partida a análise da personagem Rosie, a robô-doméstica da série "Os Jetsons". Por mais que esteja inserida em um contexto de ficção científica e um aparente avanço tecnológico, sua figura carrega diversas marcas profundas que evidenciam um imaginário social ainda pautado por hierarquias coloniais, de gênero e etnia. A pesquisa parte das teorias pós-coloniais e psicanalíticas para compreender como os discursos modernos não apenas essencializam e dessubjetivam o Outro, mas também perpetuam uma violência simbólica que sustenta relações de poder desiguais. Utilizando autores como Spivak, Freud e Haraway, argumenta-se que Rosie representa um arquétipo subalterno moldado por um inconsciente colonialista que reforça a naturalização da opressão. Sua posição na família Jetson remete à histórica subordinação de mulheres, negros e periféricos, evidenciando a continuidade das dinâmicas coloniais em produções midiáticas. Essa configuração evidencia a persistência de uma lógica colonial que naturaliza - direta e indiretamente - a presença de sujeitos subalternizados em posições de servidão. A personagem, embora robótica, apresenta traços humanizados que remetem historicamente à figura estereotipada da empregada doméstica. Ao situar Rosie nesse lugar, a série atualiza e projeta no futuro uma estrutura social que ecoa as desigualdades herdadas pela colonialidade. Algo que se relaciona diretamente à ideia da “alternativa ciborgue” - mais bem discorrida ao longo do texto, onde a personagem apresenta uma composição semelhante a uma figura híbrida entre humano e máquina, enraizada no inconsciente do sujeito da massa, alienado e refém das imposições culturais indiretas manifestadas em nossa sociedade e muito bem evidenciadas na perspectiva construída nos trejeitos, personalidade e aparência da empregada-robô. Ao analisar Rosie como uma construção simbólica que condensa tensões históricas e políticas ainda vigentes, é evidenciado como produtos culturais que aparentemente seriam “inofensivos” - por talvez não manifestar uma violência direta - continuam a reproduzir lógicas de exclusão, submissão e dominação. Por fim, propõe-se que a figura de Rosie também carrega a possibilidade de rupturas e ressignificações, apontando para modernidades alternativas e formas de resistência que transcendem fronteiras e questionam o status quo.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 2 - Corpo Estético e Tecnológico

Como Citar

A engrenagem da servidão’: a alternativa ciborgue e o (in)consciente colonialista. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568186