O reborn da subjetividade: aproximações entre Winnicott e o cuidado de bebês reborn

Autores

  • Luan Anderson Dalmas Autor
  • Camila Turchetto Autor
  • Pedro Henrique Conte Gil Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568618

Resumo

INTRODUÇÃO: Em 2025, um assunto de destaque na mídia foram os bebês reborn - bonecos hiper-realistas que simulam um recém-nascido ou uma criança. Esses bonecos são alvos de cuidados especiais, semelhantes aos desempenhados aos bebês reais, por seus cuidadores reborn. Diante desse fenômeno, analisamos conteúdos midiáticos que ilustram experiências de cuidado dos bebês reborn, a partir da teoria psicanalítica winnicottiana. MÉTODO: Trata-se de uma análise documental de trinta vídeos publicados no TikTok® e Instagram®, vinculados a contas que se dedicam a compartilhar exclusivamente o cuidado com bebês reborn. Utilizou-se da Análise Temática Reflexiva indutiva para extração e análise dos dados. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Criaram-se três temas de análise: 1) “Ambiente e recursos de brincadeira”: os bebês reborn possuem diversas ferramentas para seu cuidado, como roupas, mamadeira, brinquedos e itens para alimentação. A rotina diária dos bebês reborn se assemelha à dos bebês humanos, que envolvem rotinas de cuidados gerais, sono, passeios em carrinhos e idas para creches. Tais questões podem ser pensadas a partir da noção winnicottiana de “Ambiente Suficientemente Bom”, que oferece suporte e segurança; 2) “Handling do bebê reborn”: cuidadores reborn se preocupam em cuidar de seus bebês de forma carinhosa, especialmente durante a troca de fraldas e roupas. Nesse aspecto, emerge a “Preocupação Materna Primária”, que permite a adaptação da figura materna às necessidades do bebê, ao passo que evidencia os esforços para alcançar as funções de “Mãe Suficientemente Boa”, feitas, nesse contexto, sem falhas e frustrações, uma vez que surgem situações que os cuidadores reborn controlam o enredo por completo. Pode-se pensar que essas funções servem para experienciar a parentalidade idealizada ou para reparar falhas que cuidadores tiveram na infância, em atos simbólicos que buscam integrar o bebê reborn e também quem o cuida; 3) “Processo de amadurecimento pessoal”: nos primeiros meses de vida, o bebê real percebe seu cuidador como uma extensão de si mesmo, e começa a existir quando se percebe como um ser distinto. Da mesma forma, pensa-se que o cuidador real volta a sentir-se indivíduo quando se separa do cuidado exclusivo de seu bebê. Nessa separação entre cuidador e bebê, o self é reatualizado em seu status autêntico; caso contrário, cuidador e bebê permanecem no espaço potencial e com os fenômenos transicionais. Em relação ao cuidador reborn, um processo similar pode ser observado, pois a pessoa pode permanecer no espaço transicional protegendo sua subjetividade da realidade externa. Já o corpo inorgânico do bebê reborn é investido até ganhar a alma própria na atualidade, dotada de tecnologias que rompem com a relação usual entre bebê-cuidador-sociedade, corolário de uma nova subjetividade e corporalidade. CONCLUSÃO: O fenômeno dos bebês reborn sinaliza a emergência de novos processos de maturação pessoal, mediada por objetos inanimados e forjada sem o contato com o ambiente físico e imprevisível. Esse processo, tecnológico e recente, é patologizado pela sociedade, mesmo podendo ser a expressão da criatividade parental dos cuidadores reborn, que os organiza psiquicamente e constitui o “going on being” winnicottiano.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 7 - Corpo Subjetivo e Psicanálise

Como Citar

O reborn da subjetividade: aproximações entre Winnicott e o cuidado de bebês reborn. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568618