Resenha cinematográfica: Coisa mais linda x Gabriela: será que a mulher já deixou de ser patrimônio público?
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568188Resumo
Este resumo tem como problemática de pesquisa a relação entre Feminilidade, Direito e Psicanálise. Essa temática foi escolhida devido à sua relevância, considerando que, apesar dos inúmeros avanços nos direitos das mulheres, esses ainda são recentes e pouco consolidados, estando sob constante ameaça de retrocessos. O objetivo geral do estudo foi explorar a experiência de ser mulher a partir de uma análise crítica da novela Gabriela e da série Coisa mais linda. Para isso, elaborou-se uma linha temporal marcada pela cinematografia, destacando a evolução dos direitos das mulheres, sua independência corporal e a luta pela vida enquanto sujeito desejante. A metodologia empregada caracteriza o presente estudo como teórico e de base documental, uma vez que foram analisados materiais que ainda não receberam tratamento analítico. Assim, cenas e diálogos de ambas as obras citadas foram tomadas como material de análise e articuladas com outras fontes de informação, tanto teóricas quanto estatísticas. Desse modo, ao longo da investigação realizada, alguns aspectos se destacaram como mais significativos. Em ambas as obras analisadas, o feminicídio surge como uma questão emergente e se apresenta como o ápice da violência perpetuada contra as mulheres. Essa forma de violência não se limita à cinematografia ou ao passado, sendo hodiernamente uma questão manifesta. Na série “Coisa mais linda”, outros aspectos da experiência de ser mulher são explorados. A narrativa nos permite refletir e discutir sobre a violência de gênero em ambiente doméstico e laboral, a dupla jornada de trabalho e a discrepância entre os salários de homens e mulheres. Além disso, a série aponta para outro debate imprescindível: a experiência de ser mulher a partir de aspectos interseccionais. Assim, destacam-se as particularidades das vivências da mulher negra e da mulher que se relaciona com outras mulheres. Desse modo, ser mulher não pode ser tomado como uma forma de ser homogênea. Os marcadores sociais atribuídos a cada sujeito conferem contornos únicos à vivência feminina, gerando sofrimentos e formas de resistência que também são singulares. Embora ambas as obras retratem momentos históricos pregressos, possibilitam questionar o quanto a sociedade mudou. Considerando que as primeiras mudanças significativas nos direitos das mulheres, como as trazidas pela Constituição de 1916, têm pouco mais de 100 anos, percebe-se que os avanços conquistados ainda são recentes e pouco consolidados. Isso remete diretamente às gerações de mães e avós atuais, destacando a fragilidade das conquistas e a necessidade contínua de luta. Por fim, vale destacar que a psicanálise se desenvolve em uma estrutura patriarcal que gesta violência contra as feminilidades, ao reconhecer este aspecto é preciso pensar criticamente acerca dos conceitos e intervenções empreendidas. Para assim, torna-se uma ciência e forma de cuidado que não age favorecendo a manutenção dessas violências. Os achados aqui destacados evidenciam a atualidade e a necessidade desta discussão, entender o ser mulher a partir de suas diversas faces enriquece a prática psicanalítica e possibilita a compreensão de que os direitos adquiridos não são uma garantia, há uma necessidade constante de um olhar e movimento ético político acerca da problemática.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 6 - Corpo Político e Marginalidades
Como Citar
Resenha cinematográfica: Coisa mais linda x Gabriela: será que a mulher já deixou de ser patrimônio público?. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568188