Pedagogia Queer: o que a psicanálise tem a ver com isso?

Autores

  • Danielle Ferreira Bastos Autor
  • Marília Arreguy Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568744

Resumo

A psicanálise busca o significado daquilo que é manifesto por meio de ações, palavras ou produções imaginárias dos sonhos, associações livres, sintomas e atos falhos que as demais teorias não explicam e que são presentes, também, na escola. A partir das convergências e divergências entre a psicanálise e a teoria queer, o estudo foi realizado sob a escuta de histórias narradas por professores e professoras da educação infantil de escolas públicas do Estado do Rio de Janeiro, objetivando refletir sobre a invisibilização da criança dissidente para responder à questão posta por Porchat (2014) como a principal tensão situada no Complexo de Édipo: “que homem ou mulher, que masculinidade ou feminilidade podem dessa construção ser extraídos?” A psicanálise tradicional exerce um notável papel ao considerar privilegiadamente o Complexo de Édipo na construção de gênero; no entanto, apontamos a necessidade ética e política de pensar para além das noções de feminino e masculino. Freud não estava desatento à questão. O título de sua obra O mal-estar na Cultura (1930) retrata sua preocupação em dimensionar o efeito da castração aos desejos que ameaçam a construção civilizatória cisheterossexual. Práticas educativas ainda se encontram baseadas na proibição da criança dissidente de manifestar livremente suas identificações em suas relações e brincadeiras, que professores ainda teimam em classificar de forma binária. Não se nasce menino ou menina. Ao longo da vida nos nomeamos ao fim de um percurso que desloca as disposições bissexuais primárias em múltiplas formas de identificação e escolha de objeto amoroso. Ao reconhecer que na polimorfia da sexualidade infantil, a bissexualidade se apresenta à criança, e, só depois, se estabelecerão as identificações, impõem-se a existência de dois no psiquismo. Em que medida essa determinação cultural pode ser fonte de sofrimento na escola? Para além da bissexualidade psíquica, também, a transexualidade é uma forma de expressão que deve estar ligada à implementação da Pedagogia Queer como desdobramento que permite repensar a relação entre e a psicanálise e a educação. Menino ou menina? Quem sabe, ambos ou nenhum. O imaginário da criança não tem limites. Freud não impôs modelos de aplicação da psicanálise ao campo educacional, contudo no texto O esclarecimento sexual das crianças (1907) apontou limitações na sexualidade dos adultos, destacando que respostas vazias ofendem a curiosidade da criança. A psicanálise, assim como a pedagogia queer, questiona o porquê de a educação ser repressora. De que maneira então, a educação cumprirá a função de apontar os limites da vida em sociedade sem destruir o desejo infantil? Por meio da reconfiguração do complexo de Édipo e frente aos (pré)conceitos que o professor carrega em si, surge a necessidade de uma travessia pelas epistemologias dos estudos queer de modo a produzir o acolhimento da criança dissidente que ainda é vista como “infamiliar” (Freud, 1919) para quem teima em conservar a escola como reprodutora da sociedade normatizadora. Na pedagogia queer, será celebrada a fluidez, a multiplicidade e as ambiguidades das infâncias através das inesgotáveis identidades de gêneros, sexuais, étnicas, raciais e culturais enquanto subversão na formação das subjetividades.

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Publicado

2025-12-15

Como Citar

Pedagogia Queer: o que a psicanálise tem a ver com isso?. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568744