A Escultura Bordada da Língua: Pulsões, Desejos e Linguagem na experiência de expressão no espectro do Autismo

Autores

  • Renata Borges do nascimento Autor
  • Luana Cristina De Lima E Silva Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568760

Resumo

O autismo, enquanto fenômeno clínico e subjetivo, suscita questionamentos sobre a constituição do desejo, da linguagem e das pulsões (Travaglia, 2014). Sob a lente psicanalítica, a linguagem não se limita à comunicação, mas funciona como veículo de desejos e como moldura para a pulsão, inclusive a de morte (Tanatos), que se manifesta em atos de repetição e resistência ao simbólico. (Lacan, 2006) A obra bordada da língua, trabalho da artista Lua Lim (2025), que explora os encontros de desejo e corpo na arte e a dimensão estética e pulsional do autismo, considerando a escultura bordada como metáfora para o entrelaçamento entre linguagem e pulsão. A linguagem no autismo apresenta características singulares, muitas vezes marcada por padrões repetitivos e resistências à norma simbólica (Melo, 2018). A psicanálise sugere que tais manifestações podem estar ligadas a modos específicos de lidar com a pulsão de morte e a necessidade de reorganizar o corpo e o desejo diante de experiências traumáticas ou intensas. A artista pernambucana, propôs na exposição “Onde os desejos se encontram” (Lua Lim, 2025), uma aproximação entre desejo, corpo e linguagem, ilustrando como o ato de bordar e esculturar pode ser compreendido como uma materialização da língua e da pulsão. Essa perspectiva permite enxergar o autismo não apenas como uma condição clínica, mas como uma forma particular de experiência do desejo, na qual a linguagem se torna uma escultura, bordada com intenções, repetições e resistências. Como Banguela afirma: “pulsão de morte, nesse contexto, não se limita à destrutividade, mas se manifesta na insistência sobre certos padrões e na defesa contra a dissolução do próprio sujeito” (Benguela, 2017). A escultura bordada da língua emerge como metáfora potente para compreender essas experiências, revelando que os desejos, mesmo quando não verbalizados convencionalmente, encontram formas de expressão criativas e estruturantes. Inicialmente podemos pensar que a entrada da linguagem no início da vida, o ser humano é constituído por uma experiência para além da fala, libertar a língua, nessa metáfora artística, libertar a pulsão, implica considerar o corpo antes do significante da linguagem, pois a experiência corporal precede a entrada no simbólico, estruturando a relação do sujeito com a linguagem (Travaglia, 2014). Isso quer dizer que, quando o corpo físico for incapaz de simbolizar, a arte pode fazer esse caminho possível que antecede a linguagem verbal, e comunica e que também estrutura, permitindo a liberdade de elaboração do sujeito dando uma via para sustentar seus desejos e expressar sua individualidade.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 7 - Corpo Subjetivo e Psicanálise

Como Citar

A Escultura Bordada da Língua: Pulsões, Desejos e Linguagem na experiência de expressão no espectro do Autismo. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568760