Corpo estético e tecnológico: subjetividade, corpo, imagem e redes sociais - a construção do self a partir da virtualidade

Autores

  • Luis Roberto Melo Autor
  • BRENDA BATISTA FREITAS Autor
  • TARSIS EDUARDO DA CRUZ FERREIRA Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18569021

Resumo

A partir da reflexão sobre o conceito de espaço potencial e sua relação com o espaço virtual, compreende-se que a internet e as redes sociais se configuram como lugares privilegiados para a construção da subjetividade. Cada sujeito que se insere na dinâmica das redes e dos algoritmos passa a estar sujeito aos efeitos desse campo, o que implica uma transformação profunda no meio pelo qual se opera a comunicação e a linguagem – e, consequentemente, nos conteúdos produzidos e compartilhados. Trata-se de uma mudança no modo como o sujeito se apresenta e se reconhece, dado que o espaço virtual cria novas condições de possibilidade para o encontro com o Outro e para a constituição de si. Essa reflexão conduz à pergunta central sobre o papel do corpo nesse processo. Nas redes, o corpo é recortado, filtrado e adaptado para corresponder ao olhar do Outro virtual. A investigação tomou como referência a noção de estádio do espelho, de Jacques Lacan, que descreve o momento em que a criança se reconhece no espelho e constitui sua imagem corporal, e o conceito de narcisismo, formulado por Freud, que trata da forma como o sujeito investe libido em sua própria imagem. Com isso, observou-se que a constituição do corpo, antes pensada a partir do espelho físico, passa hoje pela mediação da tela do smartphone. O olhar que antes se encontrava no espelho e permitia a inscrição do corpo no psiquismo é agora atualizado pela tela do celular, que reflete não apenas a imagem de si, mas também a imagem do Outro, frequentemente apresentada na forma de eu ideal. Essa imagem é construída e reforçada pela lógica dos algoritmos, que privilegiam conteúdos que despertam desejo, identificação e engajamento. A análise dessa dinâmica levou à formulação da noção de sujeito virtual, entendido como uma modalidade de subjetividade que só pode ser plenamente compreendida em articulação com o digital. Há, portanto, uma indissociabilidade entre subjetividade, corpo e tecnologia, uma vez que o corpo é continuamente construído pela imagem que retorna da câmera e pelas respostas que ela gera — curtidas, comentários e compartilhamentos — que validam e moldam a percepção de si. Em um cenário marcado pela positividade e felicidade compulsória, o corpo se inscreve no psiquismo como objeto que deve performar satisfação, beleza e bem-estar. No TikTok®, em particular, esse fenômeno se expressa na valorização de corpos atléticos e erotizados, que dançam e encenam alegria. O corpo torna-se, assim, objeto causador do desejo, inserindo-se em um circuito de gozo narcísico sustentado pela retroalimentação constante dos algoritmos e das interações virtuais.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 2 - Corpo Estético e Tecnológico

Como Citar

Corpo estético e tecnológico: subjetividade, corpo, imagem e redes sociais - a construção do self a partir da virtualidade. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18569021