Marcas da pluralidade: leituras psicanalíticas do mal-estar e da diferença no movimento LGBT+

Autores

  • Andre Alonso Marques Autor
  • Gustavo Angeli Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568378

Resumo

O movimento LGBT+ emergiu em diferentes contextos históricos e sociais, marcados tanto pela resistência política quanto pela busca de pertencimento afetivo. Contudo, cada pessoa, mesmo que identificada com o grupo e suas demandas, possui sua singularidade, e assim constituem-se as diferenças entre pessoas que se unem em um coletivo, mas se diferenciam em sua singularidade por possuírem cosmovisões distintas. Essas diferenças podem gerar mal-estar, serem suportadas e negociadas, mas quando essas singularidades são desconsideradas há um possível apagamento da diferença dentro do próprio grupo. Dessa forma, este trabalho analisa as implicações e a potência da diferença e do mal-estar nos movimentos de resistência LGBT+. Busca-se tensionar a noção de coletivo como ideal, tendo como hipótese o risco de apagamento da singularidade e de esvaziamento do próprio movimento quando o singular é desconsiderado. A partir do método de pesquisa em psicanálise extramuros, baseado em transportar a teoria psicanalítica para fora setting analítico da clínica tradicional, resgatam-se como material de análise edições digitalizadas do Jornal Lampião da Esquina, expressão significativa da imprensa LGBT+ durante a ditadura militar, disponibilizado pelo Centro de documentação Prof. Dr. Luiz Mott- CEDOC. A escolha das edições analisadas se deu a partir da leitura das manchetes e das matérias que capturavam o interesse do pesquisador tendo como premissa a relação transferencial com os temas em torno do mal-estar e a diferença no grupo LGBT+. Ao longo das edições do Lampião, a ambivalência do grupo é encarnada no corpo editorial e refletida nas matérias e nas pautas. Alguns editores escrevem as colunas com textos marcadamente militantes em oposição a adesão política partidária, enquanto outros preferem textos mais acadêmicos. As edições analisadas revelam como o Lampião incorporava divergências internas sem tentar eliminá-las, isso ocorre nas discordâncias editoriais, nas tensões entre militância partidária e independência política, e nas contradições nas falas de entrevistados. Esses conflitos, longe de enfraquecer a luta expõem a complexidade da convivência em grupos que, mesmo unidos por causas comuns, eram atravessados por diferenças de classe, raça, gênero, sexualidade e perspectivas políticas. Assim, em diálogo com autores como Souza e Langaro, problematiza-se a noção de identidades fixas e universais, aponta-se a valorização das identificações provisórias, abertas e múltiplas. Nesse sentido, as páginas do Lampião mostram-se um espaço de resistência não apenas contra a repressão externa, mas também contra tendências totalizantes internas, possibilitando a circulação de posições dissidentes e o exercício da crítica. Conclui-se, que ao articular a psicanálise e os estudos de gênero, propomos uma leitura do sujeito que escapa às normatividades e à lógica binária. Assim, esse tensionamento nos permite escutar os atravessamentos subjetivos do mal-estar, abrindo caminhos para a ampliação da pluralidade nos movimentos sociais, além de permitir compreender o movimento LGBT+ como um campo em disputa permanente, no qual a pluralidade e a diferença não são obstáculos, mas elementos constitutivos e indispensáveis.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 7 - Corpo Subjetivo e Psicanálise

Como Citar

Marcas da pluralidade: leituras psicanalíticas do mal-estar e da diferença no movimento LGBT+. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568378