Escrevivência e subversão: a autorização do texto da própria vida

Autores

  • Sofia Baeta Casula Pereira Autor
  • Pedro Teixeira Castilho Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568575

Resumo

Desde Freud, a literatura ocupa um papel central na construção da teoria psicanalítica, atuando como uma via de elaboração e questionamento clínico-conceitual. Nesse contexto, a proposta da Escrevivência, formulada por Conceição Evaristo, interpela a psicanálise ao reescrever, por meio da narrativa literária, as marcas do corpo, a memória e as experiências subjetivas de mulheres negras, evidenciando uma dialética entre o individual e o coletivo. Essa abordagem revela a dimensão dialética do sujeito singular e de suas conexões com o tecido social, ressaltando que as experiências pessoais são sempre entrelaçadas às matrizes culturais e históricas do grupo ao qual pertencem. No presente trabalho, propomos analisar o romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, articulando a categoria de Escrevivência com a noção de subversão do sujeito, conforme apresentado por Jacques Lacan em Subversão do Sujeito e Dialética do Desejo (1960). A narrativa evidencia uma herança transmitida pelo avô de Ponciá, que incorpora duas vertentes complementares: o sobrenome Vicêncio, metaforizado como “lâmina afiada a torturar-lhe o corpo”, uma marca da violência escravista que perdura na memória coletiva, e o vazio resultante da solidão, que culmina na sensação de ausência. Diante do peso do significante Vicêncio, identifica-se um ponto de subversão instaurado pelo vazio, cujo uso não se coloca a serviço do Outro, mas possibilita a emergência de um lugar de enunciação singular, cujas reverberações se estendem ao campo político.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 7 - Corpo Subjetivo e Psicanálise

Como Citar

Escrevivência e subversão: a autorização do texto da própria vida. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568575