Possibilidades para o real - o corpo em movimento na dança

Autores

  • LUCIANE DE CONTI Autor
  • Ana Nathália Eduarda Farias da Silva Autor
  • Luíza Michelini Vilanova Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568764

Resumo

Neste trabalho, propomos discutir o corpo em movimento através da dança como possibilidade de o sujeito construir um bordeamento no furo do real produzido pelo trauma. Um caráter próprio da cena traumática é a literalidade, sendo seu sintoma um transbordamento por excesso de real que inviabiliza a dinâmica de representação através de metáforas. Sabe-se que para que o sujeito transmita algo da experiência, é importante que se construa ficções para que se passe do registro da vivência para a palavra. Entretanto, há situações em que não há ficção que possibilite amparo suficiente para transpor o litoral entre experiência e palavra. Em função disso, pensamos o corpo em psicanálise não apenas como uma dimensão de suporte do significante, mas também como possibilidade de produção e abrigo. Essa pesquisa se suscitou de uma experiência de trabalho realizada em uma unidade de internação psiquiátrica de um hospital público, onde foram realizadas oficinas de dança e consciência corporal. A proposta surgiu da demanda por uma possibilidade de acolhimento do que foi nomeado pelos usuários do serviço e pela equipe como agressividade ou impulsos agressivos. Era um grupo predominantemente de adolescentes e jovens adultos, do sexo masculino e feminino. Foi proposto oficinas de dança de hip hop. Após as primeiras oficinas, surgiram rodas de conversa sobre como os participantes se sentiram, momento em que eles associaram sentimentos e memórias aos movimentos. Com isso, levantamos a suposição de que algo do inconsciente se movimentou a partir do corpo em movimento na dança. Dos conteúdos trazidos nesses momentos, sob o método de pesquisa psicanalítica, se produziu o material que serviu de análise para subsidiar essa discussão. Trata-se de um material escrito, cuja composição se deu a partir da releitura de anotações pessoais escritas após as oficinas, no período da experiência referida, bem como das memórias advindas no processo de releitura das anotações. Decantou-se desse processo um material escrito nomeado de fragmentos clínicos que foram analisados a partir da articulação entre os referenciais teóricos lacanianos e os significantes que insistiam em se repetir, evocados na transferência com o material. Trazemos como desdobramento a hipótese de que a “condensação”, termo proposto por Lacan, condensaria algo do real, da instância do traumático, de modo a produzir um saber fazer com o sinthoma. Assim, o corpo em movimento na dança se apresentaria como um saber fazer com o sinthoma, ao propiciar para o sujeito um amparo para transpor o litoral do registro da experiência para a palavra. Desse modo, inferimos que o corpo em movimento na dança serviu de abrigo como também produziu novos significantes para que os sujeitos construíssem uma ficção de si.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 7 - Corpo Subjetivo e Psicanálise

Como Citar

Possibilidades para o real - o corpo em movimento na dança. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568764

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)