Corpo precarizado: mapeando os impactos da informalidade na saúde física e mental de trabalhadores urbanos
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568348Abstract
A crescente precarização do trabalho, impulsionada por transformações econômicas e a flexibilização das relações laborais, tem levado milhões de indivíduos a atuar na informalidade. No Brasil, esse fenômeno é especialmente relevante, com grande parte da população economicamente ativa engajada em atividades sem vínculo empregatício formal. Este cenário, embora muitas vezes visto como uma alternativa para a subsistência, traz consigo uma série de desafios que se refletem diretamente no corpo e na saúde do trabalhador. A ausência de direitos trabalhistas, a jornada exaustiva e a instabilidade financeira são fatores que contribuem para um quadro de vulnerabilidade que se manifesta tanto no aspecto físico quanto no mental, gerando um ciclo de desgaste e adoecimento. Este estudo busca aprofundar a compreensão sobre essa realidade, investigando como a informalidade molda a experiência corporal e de saúde dos trabalhadores urbanos. O objetivo geral desta pesquisa é mapear e analisar os impactos da informalidade na saúde física e mental de trabalhadores urbanos, identificando as principais vulnerabilidades e estratégias de enfrentamento adotadas por esses indivíduos. De forma específica, busca-se: descrever as condições de trabalho e vida de trabalhadores informais; analisar as manifestações de desgaste físico (dores crônicas, lesões) e mental (estresse, ansiedade, depressão) relatadas; e compreender a percepção desses trabalhadores sobre o próprio corpo e a relação entre trabalho e saúde. A pesquisa caracteriza-se como um estudo qualitativo, de caráter exploratório e descritivo. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com trabalhadores informais de diferentes setores. Os nomes dos participantes foram anonimizados para garantir o sigilo e a privacidade. Os resultados da pesquisa indicam que a informalidade impõe um constante desgaste físico e mental. O corpo do trabalhador informal é frequentemente levado ao limite, manifestando-se em dores crônicas, lesões por esforço repetitivo e esgotamento. Em paralelo, a instabilidade e a falta de segurança geram um quadro de ansiedade, estresse e angústia constante. Muitos dos entrevistados relataram a dificuldade em separar a vida pessoal da profissional, com a preocupação com o trabalho invadindo todos os aspectos da vida. A pesquisa também revelou que, apesar das adversidades, os trabalhadores desenvolvem estratégias de resiliência e apoio mútuo, embora a falta de acesso a serviços de saúde adequados persista como uma barreira significativa. Este estudo reforça a necessidade de uma visão mais abrangente sobre a saúde do trabalhador, que vá além das doenças ocupacionais formais e considere as complexas interações entre trabalho, corpo e saúde na informalidade. Os achados sublinham a urgência de políticas públicas que não apenas regulamentem o trabalho informal, mas que também ofereçam redes de suporte e acesso à saúde para essa parcela da população. A pesquisa contribui para ampliar o debate sobre o tema, oferecendo uma perspectiva qualitativa que dá voz e visibilidade às experiências de indivíduos cujos corpos são constantemente tensionados pelas exigências de um mercado de trabalho cada vez mais precário.Downloads
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Published
2025-12-15
Issue
Section
Eixo 3 - Corpo e Trabalho
How to Cite
Alves, J. M. O. (2025). Corpo precarizado: mapeando os impactos da informalidade na saúde física e mental de trabalhadores urbanos. Revista Periphérica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568348