A Pele como Linguagem do Inconsciente: Um Olhar Psicanalítico sobre o Corpo da criança adotada

Autores/as

  • LIDIA MICAELY FERREIRA DA SILVA MORAES Autor/a

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18568321

Resumen

Este artigo propõe um olhar psicanalítico sensível sobre o corpo da criança adotada, tomando a pele como uma via possível de expressão do sofrimento psíquico. A partir de um relato clínico com uma adolescente, refletimos sobre como experiências precoces de negligência e ruptura nos vínculos primários podem deixar marcas que vão além da memória verbal — marcas que se inscrevem no corpo. A teoria do eu-pele, de Didier Anzieu, juntamente com os aportes de Winnicott, Bick, Bowlby e outros autores, nos ajuda a compreender como a pele pode funcionar como um “envoltório” psíquico frágil, especialmente quando o cuidado inicial falha. No caso apresentado, a dermatite atópica ganha significado não apenas como sintoma médico, mas como linguagem do inconsciente — uma tentativa do corpo de dizer o que ainda não pôde ser simbolizado em palavras. A escuta clínica, nesse contexto, se amplia: acolhe o silêncio, os gestos e as marcas na pele como formas legítimas de expressão subjetiva. A adoção, embora represente uma nova chance de vínculo, também convoca a criança a revisitar dores precoces. Concluímos que, quando há escuta, presença e continência afetiva, o corpo pode deixar de ser apenas um lugar de dor e passar a ser também um espaço de encontro, construção e cuidado.

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Publicado

2025-12-15

Cómo citar

MORAES, L. M. F. D. S. (2025). A Pele como Linguagem do Inconsciente: Um Olhar Psicanalítico sobre o Corpo da criança adotada. Revista Periphérica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568321