Implicações do imaginário social nas produções discursivas e sintomáticas das mulheres

Autores

  • Maria Eduarda Farias Maciel Autor
  • Juliana Gama Autor

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18569116

Resumo

Desde os primórdios, o ser humano é constituído e forjado a partir de suas relações. Somos tocados e causados pelo olhar, pelo toque e pela palavra do outro, que nos atravessa e angustia, ao passo que também nos estrutura. Isso implica pensar, que o imaginário social vem esculpindo um modelo comumente aceito e alimentado pela sociedade sobre a representação do “ser mulher”, refletindo padrões comportamentais e símbolos cristalizados, ligados à ideia de subalternidade. Diante disso, o presente artigo teve como objetivo geral analisar as relações entre os lugares construídos para as mulheres no imaginário social e as produções discursivas, sintomáticas de sofrimento, apresentadas por elas. Para tanto, foi feita uma pesquisa netnográfica, de natureza qualitativa, na qual foram investigados vídeos e textos publicados por mulheres que tinham perfis abertos na rede social Instagram, e que tratavam de lugares sociais imputados às mulheres, articulando-os às implicações desses lugares nas formações sintomáticas de sofrimento apresentadas por elas. Os perfis, dos quais foram extraídas seis postagens, foram: Giovanna Ewbank (@gioewbank), que é uma atriz brasileira, casada, mãe de filhos negros e branco, que debate, com frequência, sobre racismo, feminismo e relacionamento; Samara Felippo (@sfelippo), que é uma atriz brasileira que se apresenta como mãe-solo e foi criticada pela frase “Eu não gosto da função de ser mãe”, ao falar sobre a maternidade sobrecarregada e a desigualdade de gênero; Helen Ramos, (@ahelenramos), que é escritora e podcaster/videocaster da Radiohel, em que debate cultura, comportamento e atualidades, com conteúdo feminino e materno; Alexandra Maria (@alexandramariasemr), mestra em literatura, nomeia-se como “sapaPoeta” e “sapaFeminista”, criadora da @papel.mulher; Sandy (@sandyoficial), que é uma cantora brasileira, com frequência, remetida a sua jovialidade e ao ideal feminino; Leandrinha (@leandrinhadu) que é uma mulher trans, com deficiência, blogueira, e atua a partir do lema “Sou foda demais para você entender o que eu faço”. A análise do material coletado foi feita com base no referencial psicanalítico, feminista e das teorias de gênero, aliando-se a duas temáticas: o corpo feminino e a maternidade. Concluiu-se que, falar sobre mulheres, produções discursivas e produções sintomáticas é dizer daquilo que grita nas notícias, na literatura e na carne. Observou-se que as produções atuais sobre a diferença entre papéis de gênero e lugares imputados às mulheres no imaginário social são resultado de muitos anos de silenciamento estrutural dentro da lógica falocêntrica. Portanto, pensar o local socialmente construído para as mulheres exige um esforço teórico e clínico que permita costurar a linguagem da psicanálise com a potência de um fazer cada vez mais atento e equiparado com uma escuta interseccional. A escuta, nesse sentido, é convocada a ultrapassar os limites de uma abordagem universalizante e a considerar as especificidades históricas, raciais, sociais e culturais que atravessam a experiência única de cada mulher. A articulação teórica entre psicanálise, feminismo e teorias de gênero apontou, portanto, para a urgente necessidade de uma transformação subjetiva e social, sustentada por uma escuta que acolha a diferença e que tensione, radicalmente, os discursos hegemônicos que perpetuam a subalternidade.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Eixo 7 - Corpo Subjetivo e Psicanálise

Como Citar

Implicações do imaginário social nas produções discursivas e sintomáticas das mulheres. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18569116