PT: Diante da Porta de Vidro: Analisando o Processo de Racialização de Psicanalistas Brancos(As) EN: In View of the Glass Door: Analyzing the Racialization Process of White Psychoanalysts
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568509Resumo
Este trabalho nasce de uma dissertação de mestrado em curso que investiga sobre os processos de racialização de psicanalistas brancos e suas ressonâncias na clínica e na formação analíticas. No cenário brasileiro contemporâneo, percebemos o surgimento de cada vez mais grupos de psicanálise que discutem racismo e branquitude e contam com a presença frequente de pessoas brancas. Nesse sentido, amparadas pelos estudos sobre a transferência e por ferramentas conceituais psi atentas às questões raciais, perguntamo-nos: o que se transforma na clínica e nos modos de experienciar a formação psicanalítica de analistas que se chocam contra a porta de vidro da própria branquitude? O objetivo central é investigar sobre como a racialização de si enquanto branco(a) transforma o percurso formativo e o fazer clínico de psicanalistas brasileiros. Para isso, os objetivos específicos incluem refletir sobre como se dão os processos de racialização dos entrevistados, assim como analisar as ressonâncias de tal processo em suas formações e práticas clínicas. A pesquisa, de natureza exploratória e descritiva, utiliza a metodologia de entrevista narrativa de Fritz Schutze e a análise de conteúdo de Laurence Bardin como guias para produção e análise de dados. Os participantes são psicanalistas brasileiros(as) que compõem coletivos ou grupos de psicanálise que discutem decolonialidade, raça e temas transversais. Apesar de utilizar recursos metodológicos das ciências sociais, a pesquisa demarca seu referencial psicanalítico e rejeita a noção de neutralidade científica, reconhecendo a transferência como elemento presente também na pesquisa acadêmica. Inicialmente, o estudo reconstitui a história dos estudos psicanalíticos sobre raça e racismo no Brasil por meio de uma linha do tempo que percorre produções do século XIX ao ano de 2023. Em um segundo momento, discutimos que, apesar da eloquência de vozes como Neusa Santos Souza e Isildinha Baptista Nogueira, os espaços tradicionais de psicanálise parecem não refletir esse cenário potente: entre os 17 autores contemporâneos mais lidos e os 39 líderes das principais Escolas psicanalíticas do país, não há pessoas negras. Refletimos, então, sobre a herança remanescente de uma psicanálise “do centro”, nascida na Modernidade, que, embora se desloque em direção a um “Outro”, localiza-se em tempo e espaço historicamente definidos. A partir dessa costura entre teoria e cultura, interessa-nos pensar os impactos do encontro da psicanálise com estudos críticos comprometidos com a justiça social, especialmente racial, na clínica psicanalítica contemporânea. As entrevistas em andamento já revelam núcleos de sentido como: o descobrir-se branco fora da psicanálise, a racialização de si como possibilitadora de uma ampliação no ponto de escuta, o grupo ou coletivo como espaço de formação e comunidade e, por fim, o não-desejo de ocupar Escolas tradicionais. A relevância do estudo está atrelada à reflexão sobre a implicação de psicanalistas brancos na construção de uma clínica antirracista e as possibilidades da própria psicanálise na luta por equidade racial no Brasil.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 7 - Corpo Subjetivo e Psicanálise
Como Citar
PT: Diante da Porta de Vidro: Analisando o Processo de Racialização de Psicanalistas Brancos(As) EN: In View of the Glass Door: Analyzing the Racialization Process of White Psychoanalysts. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568509