Conversações psicanalíticas no contexto escolar: uma aposta na pesquisa participativa com adolescentes
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568519Resumo
Este trabalho tem como objetivo geral debater sobre os efeitos de uma conversação psicanalítica realizada no contexto escolar público, enfatizando a dimensão política das narrativas dos adolescentes. Os objetivos específicos são: a) identificar por quais discursos os/as adolescentes são falados e b) discutir de que forma as conversações possibilitam a construção de uma narrativa em nome próprio. Para a psicanálise, a adolescência trata-se de um período de travessia para o sujeito, o qual implica em mais um passo no processo de separação do Outro e em um momento de reposicionamento subjetivo que envolve as dimensões do imaginário, do simbólico e do real. Dessa forma, a travessia da adolescência, além de ser marcada por uma transformação subjetiva, ainda é atravessada pela realidade social de cada território. Logo, trata-se de múltiplas adolescências. Relacionando com a dimensão sociopolítica do sofrimento psíquico, compreende-se que, em situações de vulnerabilidade social, além do desamparo político em torno de condições concretas de vida, muitos/as adolescentes vivenciam uma condição de assujeitamento, em que, por vezes, são capturados/as por discursos que os/as colocam em situações de silenciamento e de passividade. A naturalização da violência e a conformidade com um futuro sem perspectiva de ingresso na universidade foram temas colocados em questão durante a conversação realizada na escola com os/as adolescentes. Ademais, foi possível o compartilhamento do sofrimento entre os/as participantes, a legitimação das experiências e sentimentos adolescentes, a implicação subjetiva frente àquilo que se viveu/vive e a construção de rede de apoio entre os/as estudantes que participaram das conversações. Por meio de vinhetas das falas dos alunos, utilizaremos conceitos desenvolvidos por autores como Mirian Debièux Rosa, Christian Dunker, Luciana Coutinho e Andrea Guerra. Assim, a aposta é que este trabalho se configure como uma formalização da construção de espaços de fala que estão sendo promovidos no diálogo entre escola e universidade, a partir da extensão e de pesquisas da Universidade Federal do Ceará. Percebemos que, através da associação livre coletivizada, as conversações possibilitam uma via de endereçamento das diferentes nuances de assujeitamento experienciadas pelos adolescentes. Por fim, o que se pretende com este resumo é traçar vias éticas e metodológicas das possibilidades do trabalho psicanalítico nos contextos educacionais públicos que são atravessados pelas questões sociopolíticas do território.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 6 - Corpo Político e Marginalidades
Como Citar
Conversações psicanalíticas no contexto escolar: uma aposta na pesquisa participativa com adolescentes. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568519