A agressividade digital: considerações sobre o narcisismo
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18568625Resumo
Diante das alterações causadas pelas mediações algorítmicas, a antropóloga Letícia Cesarino, em um estudo de comunidades digitais, observa a presença de um engajamento a qual ela intitula amigo versus inimigo, cuja perspectiva de aniquilação do outro é a exata medida de coesividade dos grupos digitais. Tal fato não se dá apenas por uma perspectiva técnica, mas também por alterações na esfera material de reprodução da vida: Marx, desde os Grundrisse, afirmava que o movimento do capital pode sumarizar-se na anulação do espaço pelo tempo de produção. Além disso, Theodor Adorno, tal como Vladimir Safatle, apontam para a cisão constitutiva, nas sociedades ocidentais, causada pela divisão social do trabalho, influindo em medidas disciplinares de ordenamento do corpo e do tempo. Questiona-se, então, à luz de autores como Donald Winnicott e Jacques Lacan, como o ambiente de subjetivação digital, cuja organização se dá pela aceleração do tempo de troca, está influindo no narcisismo e no ordenamento corporal direcionado às redes. Com esta pesquisa, objetiva-se compreender os modos de atualização da constituição psíquica nas mediações algorítmicas. Para tanto, fez-se uso da análise bibliográfica de autores contemporâneos da antropologia digital, de clássicos do marxismo e da psicanálise. Como resultado, observamos que o identitarismo, tal como conceituado pelo filósofo e psicanalista Douglas Barros, é o horizonte de organização subjetiva pressuposto pela arquitetura digital da economia política das redes, com os modos de produção de valor alicerçados na base técnica dos algoritmos, a qual necessita da criação de confirmações de identidade para obter engajamento na plataforma objetivando a produção de informação para venda de anúncios; por outro lado, ressaltamos a importância do conceito de agressividade, desenvolvido nos primeiros anos da produção teórica lacaniana, enquanto fator central do contato com a alteridade no mundo digital, sendo um afeto necessário à estabilização de identidade requerida pela dinâmica das redes; por fim, advogamos que o resgate do conceito de “ambiente” cunhado por Winnicott mostra-se profícuo na medida em que é associado à teoria do valor, buscando pensar o que é o tempo subjetivo de singularização nas redes a partir das exigências materiais de reprodução da vida no capitalismo contemporâneo. Enfatizamos, enfim, que o valor desta pesquisa se encontra na proposta de ampliação conceitual para o entendimento dos fenômenos digitais, recorrendo a diversas ciências e vertentes da psicanálise com o objetivo de firmar uma explicação capaz de agregar diversos dados de forma coesa; desse modo, esta pesquisa aumenta o campo conceitual da psicanálise para essa nova gama de fatos causados pelas tecnologias.Downloads
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Publicado
2025-12-15
Edição
Seção
Eixo 2 - Corpo Estético e Tecnológico
Como Citar
A agressividade digital: considerações sobre o narcisismo. (2025). Revista Peripherica, 1(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.18568625