O sintoma e os limites da neuroplasticidade: uma leitura psicanalítica lacaniana
DOI:
https://doi.org/10.5281/gatq5f77Palavras-chave:
neuroplasticidade, psicanálise lacaniana, sintoma, significante, forclusão do sujeito, biopolíticaResumo
Este artigo examina o paradigma da neuroplasticidade a partir de uma leitura psicanalítica lacaniana, interrogando seus limites conceituais e éticos. O argumento central é que a neuroplasticidade, ao operar com a promessa de inscrição direta no sistema nervoso sem a mediação da palavra, produz uma forclusão do sujeito. O sujeito falante é reduzido a um receptor passivo de modificações biológicas, sem que sua verdade e seu gozo sejam considerados. O artigo percorre o percurso histórico do conceito, examina o debate entre neurociência e psicanálise a partir de autoras como Eric Kandel, Irving Kirsch, François Ansermet e Pierre Magistretti, e articula a distinção lacaniana entre inscrição neuronal e significante. Ao final, discute as implicações clínicas e éticas desse debate para a prática psicanalítica contemporânea, incluindo questões relativas ao autismo, aos psicofármacos e às terapias comportamentais.