História das mulheres na psicanálise: Sabina Spielrein
DOI:
https://doi.org/10.5281/w6nxtz19Palavras-chave:
Sabina Spielrein, pioneirismo, pulsão de morte, psicanálise, psicologia infantilResumo
O presente artigo busca promover um resgate crítico, biográfico, histórico e teórico da trajetória de Sabina Spielrein (1885-1942), psicanalista russa e uma das primeiras mulheres a contribuir para o desenvolvimento da psicanálise. A fundamentação metodológica estrutura-se a partir de pesquisa bibliográfica, pautada nos estudos de autores como COSTA e SILVA (2018), bem como nas obras fundamentais de CAROTENUTO (1984), ROUDINESCO e PLON (1998) e VAN DER VEER e VALSINER (2001); Volumes 1 e 2 das Obras completas de SPIELREIN, S., organizada por Renata U. Cromberg (2021). O trabalho analisa como as contribuições de Spielrein foram historicamente secundarizadas nos relatos tradicionais sobre o surgimento do movimento psicanalítico. Internada no Hospital Burghölzli como paciente diagnosticada com histeria grave, Spielrein transitou para a posição de médica, pesquisadora e analista de vanguarda. Analisa-se aqui suas produções, sua tese de doutorado sobre a esquizofrenia (a primeira de orientação psicanalítica), sua elaboração conceitual da destruição como força motriz do devir, que antecipou a pulsão de morte freudiana, além de sua atuação pioneira na psicanálise infantil na Suíça e na União Soviética, onde colaborou com Jean Piaget, Lev Vygotsky e Alexander Luria. Este trabalho busca reposicionar Spielrein não como um elo passivo entre Carl Jung e Sigmund Freud, mas como uma teórica original e transdisciplinar.