O elefante no divã: psicanálise, fundamentos morais e segregação institucional
DOI:
https://doi.org/10.5281/emm3b136Palavras-chave:
psicanálise institucional, fundamentos morais, segregação, ética psicanalítica, escuta periféricaResumo
Este ensaio investiga por que psicanalistas eticamente comprometidos são sistematicamente segregados pelas instituições psicanalíticas tradicionais. Utilizando a Teoria dos Fundamentos Morais de Jonathan Haidt, o texto demonstra que as sociedades psicanalíticas operam estruturalmente como comunidades morais conservadoras, priorizando fundamentos vinculantes — Lealdade, Autoridade, Santidade — sobre fundamentos individualizantes — Cuidado, Justiça, Liberdade. O ensaio percorre oito casos históricos — Ferenczi, Gross, Tausk, Pellegrino, M. D. Magno, Virgínia Bicudo, Neusa Santos Souza e Richard Isay — para demonstrar que o mecanismo de exclusão opera transversalmente em diferentes épocas, geografias e tipos de dissidência, desde a inovação clínica até a identidade racial e sexual. O texto examina o silêncio cúmplice dos pares, a patologização do dissidente como instrumento de poder, a produção de sofrimento excedente pelas instituições, e a captura do tripé formativo pelo capital. Como alternativa, propõe uma psicanálise não institucional organizada pela ética entre pares, pelo testemunho público e pela recusa da captura pelo capital, apontando para experiências concretas dessa inversão.