Pacto narcísico e subjetividade descartável nas infâncias

Autoria

DOI:

https://doi.org/10.5281/bcv2vb09

Palavras-chave:

violência da interpretação, pacto narcísico, singularidade tecnológica, infâncias trans, subjetividade descartável, transepistemologia

Resumo

Este artigo examina a contradição estrutural entre o projeto tecnocrático de imortalidade inscrito na Singularidade de Ray Kurzweil e a condição de subjetividade descartável (YORK, 2026) que caracteriza as infâncias trans e travesti no contexto ocidental contemporâneo. Mobilizando a psicanálise de Piera Aulagnier — em especial o conceito de violência da interpretação e o pacto narcisista — articulada ao narcisismo freudiano e à transepistemologia de Sara Wagner York, o artigo argumenta que a promessa tecnológica de uma vida infinita opera como sintoma de um pacto narcisista que distribui desigualmente o direito à existência, enquanto certos corpos são projetados para além da morte, outros são produzidos como descartáveis desde o berço. A depressão endêmica e as configurações borderline que marcam as infâncias trans são lidas aqui não como patologias individuais, mas como efeitos clínicos de uma violência interpretativa que antecede o nascimento do sujeito.

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Sobre a autoria

  • Sara Wagner York, Universidade Estadual Paulista (UNESP)/CPAPEC

    Sara York é Doutora em Educação (UERJ), pós-doutoranda em Semiótica (UNESP), psicanalista e mestranda em Psicanálise e Políticas Públicas (UERJ). Autora de Programa de Travesti (2026), possui trajetória internacional de destaque, com passagem pela University of Pittsburgh e docência convidada na Vanderbilt, Dayton e Ohio State University. É especialista em Gênero e Sexualidades e graduada em Letras, Pedagogia, Jornalismo e Biomedicina. Pioneira como a primeira travesti a ancorar jornalismo no Brasil, atua na intersecção entre Educação, Mídia e Saúde. Foi co-fundadora da CIPAAI/UERJ e pesquisadora do Ambulatório Identidade (UERJ). Atualmente, integra grupos de trabalho no Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC). Reconhecida nacionalmente, foi eleita um dos principais nomes trans pela BillboardBr e é recipiente de múltiplas honrarias, como a Medalha Chiquinha Gonzaga, o Prêmio Antonieta de Barros e o Troféu Luiz Gama Esperança Garcia. Colunista Brasil 247.  

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Publicado

2026-07-01

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Pacto narcísico e subjetividade descartável nas infâncias. (2026). Revista Periphérica, 2(1). https://doi.org/10.5281/bcv2vb09

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